UNIME — União Metropolitana de Educação
e Cultura

Ana
Cristina Franco Veloso da Cruz
Maria das Graças Pereira Henriques
A Gestão de suprimentos nos centros públicos de saúde
da Prefeitura Municipal de Salvador
Lauro de Freitas
2005
INTRODUÇÃO
De
acordo com a Organização Mundial de Saúde –
OMS, o Brasil ocupa o 125º lugar entre os 191 paises do ranking mundial
em qualidade de saúde pública oferecido aos seus cidadãos,
perdendo apenas para paises como a Bósnia e Líbano. Essa
realidade é vista nas filas dos ambulatórios e hospitais
públicos de todo o Pais. Especialistas afirmam que esta situação
não se deve a falta de dinheiro, uma vez que o orçamento
do Ministério da Saúde conta com recursos suficientes para
dividir entre os 6,5 milhões de hospitais integrantes da rede SUS
-Sistema Único de Saúde. (GOMES, 2002).
O autor afirma ainda que, entre 1992 a 1999 o número de Centros
Públicos de Saúde no Brasil teve um aumento de 23% com uma
média de 2,9 leitos hospitalares por habitantes.
Em Salvador, com a municipalização iniciada em 1998, o número
de Centros Públicos de Saúde, fixos e móveis, aumentaram
de 89 unidades, progressivamente, para 116 unidades no ano de 2004, melhorando
o nível de atendimento à população. (SMS,
2004)
Para melhor gerir esses Centros Públicos de Saúde, a Secretaria
Municipal de Saúde (SMS) conta com doze Distritos Sanitários,
Figura 1, aos quais competem planejar, coordenar, controlar e avaliar
as ações e serviços públicos de saúde
em consonância com o Planejamento Municipal.(DOM, 2002).
Os Distritos Sanitários, através da Subcoordenadoria de
Acompanhamento Distrital tem como uma de suas atribuições
controlar estoques de insumos da assistência. (DOM, 2002). Neste
âmbito, nota-se a relevância da área de suprimento
por se tratar de atividade crítica para a operacionalização
dos Centros Públicos de Saúde.
Logo este trabalho trata da Gestão de Suprimentos nos Centros Públicos
de Saúde da Prefeitura Municipal de Salvador (PMS), concentrando-se
na requisição, recebimento, armazenagem e movimentação
interna dos itens necessários ao seu funcionamento.
A escolha desse tema advém da necessidade de conhecer o funcionamento
dessa área, a forma como é tratada pelos seus gestores e
a importância que ela tem para os Centros Públicos de Saúde
da PMS.
Os Centros Públicos de Saúde contam com recursos da Secretaria
Municipal de Saúde, Sistema Único de Saúde - SUS,
além de verbas do REFORSUS – Projeto de Investimento do Ministério
da Saúde em parceria com o Banco Interamericano de Investimentos
(BID) e o Banco Mundial (BIRD), no que se refere à recuperação
física desses Centros (REFORSUS, 2003 apud SILVA, 2003, p.55).
O Sistema Único de Saúde é tido como um modelo de
organização dos serviços que tem como característica
principal valorizar a gestão municipal e prestar serviços
de saúde à população carente do país.
Muito embora, apesar de seu alcance social, não tem conseguido
atender, de maneira desejada o seu propósito. (VECINA NETO e REINHARDT
FILHO, 1998).
Vê-se que novas alternativas em saúde enfatizam a melhor
utilização de seus recursos, a redução do
desperdício, tanto de insumos em geral quanto de tempo, além
da melhoria da qualidade dos serviços oferecidos.
Para tanto, é necessário também, que as organizações
de saúde e as pessoas, desenvolvam uma dinâmica de aprendizagem
e inovação, entendendo a importância de adaptar-se
às mudanças do mundo atual.
A atividade de Gestão de Suprimentos busca disponibilizar produtos
no momento exato para ser utilizado pela Logística e que representa
a saída considerável de recursos da organização
através da compra de materiais necessários a operacionalização
das organizações. (POZZO, 2002).
Para efeito desse trabalho, percebe-se que em organizações
públicas, especificamente na área de saúde tem-se
uma idéia de descontrole dado às inúmeras reportagens
a respeito de medicamentos vencidos, armazenagem inadequada, excesso de
estoque, e, portanto, desperdício de recursos públicos,
em detrimento do estado de extrema necessidade da população.
Há uma cultura fortemente institucionalizada e difundida na sociedade
em geral, que a gestão de órgão público é
o mesmo que ingerência. A contratação de pessoal desqualificado
para o exercício de atividades pertinentes, dissemina essa cultura.
Tais fatos aguçam o interesse em conhecer qual a situação
da gestão de suprimentos nos Centros Públicos de Saúde
da Prefeitura Municipal de Salvador.
O objetivo geral que define o propósito desse trabalho é
analisar o processo de Gestão de Suprimentos nos Centros Públicos
de Saúde de Salvador, dando ênfase à requisição,
recebimento e armazenamento dos materiais em geral e medicamentos.
De forma a responder essa questão, verificou-se o modelo de gestão
de suprimento utilizado nos Centros Públicos de Saúde, conhecendo
a forma de controle adotada, os aspectos limitadores de um controle efetivo
de estoques, com o objetivo de mostrar a necessidade de existir uma gestão
de suprimentos de forma adequada, a fim de reduzir as perdas, estoques
desnecessários e extravios além de proporcionar a satisfação
do Cliente Final.
Têm-se como objetivos específicos:
-
conhecer o funcionamento da área de suprimentos dos Centros Públicos
de Saúde;
-
identificar e descrever as principais técnicas adotadas na gestão
de suprimentos nos Centros Públicos de Saúde atualmente,
no que diz respeito a material, movimentação, estocagem
e pessoal;
-
verificar a qualificação profissional das pessoas envolvidas
no processo de Gestão de Suprimentos dos Centros Públicos
de Saúde.
As
organizações de saúde não produzem serviços
eficazes apenas com estruturas e pessoas. Os suprimentos em geral também
fazem parte desse processo. A gestão de suprimentos eficaz irá
fornecer insumos necessários, fazendo o papel central na busca
de um serviço eficiente de saúde para a população.
(CORREIA NETO e OLIVEIRA, 2003)
A relevância desta pesquisa se dá pela busca de subsídios
para melhoria da gestão de suprimentos nos Centros Públicos
de Saúde como forma de minimizar os gastos públicos a fim
de atingir um maior número de cidadãos carentes, desprovidos
desses serviços e melhor atendimento proposto ao cliente final.
O presente estudo tem na sua estrutura, no primeiro capítulo a
contextualização do tema gestão de suprimentos, sua
relevância, estabelecendo paralelo entre a teoria e a prática
interna destes Centros Públicos de Saúde. Para tanto, foi
realizada uma pesquisa de campo, através da amostra de seis Centros
Públicos de Saúde, contemplando quatro Distritos Sanitários,
Figura 1.
Destacam-se, no segundo capítulo, quatro dimensões, com
respectivos atributos, dos principais problemas relacionados à
gestão de suprimentos, a partir da análise do referencial
teórico, dissecando cada uma delas.
No terceiro capítulo faz-se um esclarecimento das características
de cada modelo dos Centros Públicos de Saúde existentes.
Em seguida, no capítulo quatro, informam-se os procedimentos de
pesquisa utilizados, detalhamento de métodos, identificando os
casos analisados, sua descrição e informações
gerais da população e respondentes da pesquisa.
No capítulo cinco, descreve-se o estado atual da gestão
de suprimentos, suas práticas e funcionalidades, fazendo um comparativo
com o referencial teórico e resultado da pesquisa.
Concluindo, no capítulo seis, são apresentados os dados
da pesquisa, com demonstrações gráficas e parecer
a respeito da análise dos dados obtidos, além de apresentar
críticas, sugestões e desdobramento do tema.
1 GESTÃO
DE SUPRIMENTOS
A análise
proposta na pesquisa limita-se a três áreas: gestão
de distribuição, logística e gestão de materiais.
A gestão de suprimentos envolve análise de diferentes áreas
de uma organização, relacionadas e interdependentes que
se pode denominar com maior fidelidade como Gestão da Cadeia de
Suprimentos. É um conceito integrado que inclui tanto atividades
de compra quanto atividade de distribuição física.
(SLACK, 2002).
Quadro 1 - Partes
da Gestão da Cadeia de Suprimentos

Fonte: Elaboração
Própria, adaptado de SLACK, 2002.
Pozzo
(2000) ao tratar do conceito de Gestão de Suprimentos sugere a
necessidade da aquisição do produto, retratado na função
compras, que está excludente desta proposta de estudo, por estar
este trabalho limitado apenas a suprimentos internos.
A logística é uma operação integrada que cuida
de suprimentos e distribuição de produtos acabados, com
critérios, mediante planejamento, com vistas à redução
de custos. Para isso, será necessário o conhecimento prévio
desse processo. (VIANA, 2002). Enquanto Slack (2002) diz que a logística
inclui também o lado da demanda da distribuição física
de bens, que normalmente vai além dos consumidores imediatos chegando
até o consumidor final.
Ainda segundo Slack (2002), a gestão da distribuição
física é a transferência e movimentação
dos produtos e serviços para o cliente. Enquanto a gestão
de materiais, por ser um termo mais limitado do que gestão da cadeia,
compreende o fluxo de materiais e suas informações de suporte
através da cadeia de suprimentos.
A logística prevê como função primária,
afirma Paterno [199-], recebimento e conferência de materiais, estocagem,
distribuição e atendimento ao cliente. Havendo um desdobramento
dessas funções no que tange a gestão de materiais
que se preocupa com prazos e formas de recebimento, conformidade de itens
recebidos versus itens solicitados, de que maneira deve ser estocado,
obedecendo a normas e procedimentos adequados e como devem ser distribuídos
para melhor atendimento ao cliente.
Portanto, entende-se para efeito deste trabalho que, a logística
de suprimentos integrada a gestão interna de materiais e somada
a capacitação dos recursos humanos, pode tornar-se um referencial
para o alcance da eficiência nos serviços oferecidos nos
Centro Públicos de Saúde.
“Almoxarifado é reduto onde se encontra” insumo “materiais
necessários à sustentação do processo [...]”
(VECINA NETO E REINHARDT FILHO, 1998). O autor continua dizendo que o
objetivo do Almoxarifado é ter o material certo, na hora certa
ao custo e preço econômico.
É visto que, nos Centros Públicos de Saúde, por existir
um Almoxarifado Central, há estoque em grande proporção,
o que é desnecessário. Segundo DIAS, (1995 apud PROTIL E
MOREIRA, 2002, p. 03) o estoque funciona como amortecedor que garante
as oscilações da demanda no que tange a sua função
de armazenagem dos materiais/ medicamentos e avalizar o suprimento dos
materiais necessários à produção ou prestação
de serviços.
A administração de estoque deve planejar e controlar a quantidade
necessária de materiais e medicamentos armazenados, a fim de garantir
suas disponibilidades nos momentos em que a produção ou
serviços, necessitarem. O controle efetivo e eficiente de estoque
tem uma importância diferenciada no que tange aos serviços
de saúde, pois a falta de medicamentos e/ou materiais pode significar
o insucesso de uma intervenção médica com conseqüências
diretas à saúde e/ou sobrevivência do paciente BALLOU
(1993, p. 237 apud PROTIL e MOREIRA, 2002)
No que se refere à distribuição interna, este é
um processo relacionado à movimentação de materiais
em geral e medicamentos, aos estoques armazenados internamente e os pontos
de produção ou prestação de serviços.
Existem várias técnicas que determinam as melhores formas,
considerando o roteamento da movimentação e racionalização
dos recursos. BALLOU (1993 apud PROTIL e MOREIRA, 2002, p. 04).
Paterno [199-], descreve algumas medidas de melhoria desses controles:
determinação de estoque máximos e mínimos
dos setores usuários, política de requisições,
com dia e hora para cada setor, blocos de requisição diversificados
para farmácia e almoxarifado, com relação impressa
de materiais mais comumente utilizados, assinatura do responsável
pelo setor usuário, controle periódico, por elemento indicado
pela administração dos setores usuários da organização.
Em organizações de saúde a logística de distribuição
deve garantir a entrega de itens em geral no momento e local necessário,
muito embora esse fluxo de distribuição não seja
bem definido e nem sempre possível de prever com a devida segurança
os itens necessários a algum tipo específico de procedimento
médico. E é essa falta de determinação que
acarreta algumas dificuldades de planejamento e controle. DANIEL (1997
apud PROTIL e MOREIRA, 2002, p. 05).
2 PROBLEMAS
RELACIONADOS À GESTÃO DE SUPRIMENTOS
O
estoque é definido, segundo Slack (2002), como acumulação
armazenada de recursos materiais em um sistema de transformação.
O autor cita que, gaze, sangue, alimentos, drogas e materiais de limpeza,
fazem parte de estoques mantidos em operação em um hospital.
Estoques têm um valor e necessidades específicas para cada
área, não justificando armazenar itens que não seja
de primeira necessidade. É preciso saber o que requisitar, quando
requisitar e como controlar, entendendo que os estoques são necessários
para conciliar às diferenças entre o fornecimento e consumo.(SLACK,
2002).
Viana (2002), cita que a distribuição é uma atividade
por meio da qual a organização efetua as entregas de seus
produtos e que, por conseqüência está intimamente ligada
à movimentação e transportes, devendo atentar-se,
entre outros, a natureza do produto: cargas gerais, especiais e perigosas.
A distribuição física, última fase da logística,
contempla os segmentos de depósito, movimentação,
transporte, embalagem, acondicionamento e por fim expedição.
Quanto a pessoas, Viana (2002), cita a importância da experiência
e capacitação das pessoas envolvidas no processo produtivo
de produtos e serviços.
Paterno [199 -] relata que os problemas mais comuns ligados a materiais
e sua movimentação estão relacionados a sua guarda
ou estocagem, e as pessoas que trabalham nos setores de estoques. Enumera
alguns dos problemas, os quais analisou-se nos resultados da pesquisa.
Em modelo de
Regimento Interno, Paterno [199 -], dispõe sobre rotinas do serviço
de materiais. Segundo Vecina Neto e Reinartd Filho, (1998), materiais
são produtos que podem ser armazenados ou que são consumidos
de imediato. Nesse conceito ficam excluídos os materiais permanentes
(equipamentos médico-hospitalar, mobiliários, veículos).
A movimentação de materiais segundo Martins (2003), deve
ser reduzido ao mínimo possível, tanto em relação
às quantidades transportadas quanto às distâncias
percorridas.
O Recebimento faz parte desse processo, o qual é composto de cinco
elementos principais: espaço físico, recursos de informática,
equipamento de carga e descarga, pessoas qualificadas e procedimentos
normalizados.
Os medicamentos que fazem parte do processo da gestão de suprimentos
da área de saúde são considerados itens diferenciados,
necessitam com isso, receber tratamentos especiais devido a sua importância.
(AZEVEDO, 2000). O armazenamento desses itens carece de um sistema de
armazenagem especial. A climatização, nesse caso, é
de grande importância, assim como equipamentos, tais como: armários
fechados com chaves para o armazenamento de drogas controladas.
3 CENTROS PÚBLICOS DE SAÚDE DE SALVADOR
Nesta
seção cabe um esclarecimento sobre as características
de cada modelo dos Centros Públicos de Saúde existente na
Secretaria Municipal de Saúde Prefeitura Municipal de Salvador.
Os Centros Públicos de Saúde da PMS podem ser classificados
em:
-
UBS - Unidades Básicas de Saúde –
desenvolvem suas atividades na área de consultas médica
pré-agendadas, além de vacinações em geral,
consultas com Serviço Social e programas específicos tais
como: Planejamento Familiar, Programa de Hipertensão e Diabéticos,
DST/AIDS, Hanseníase e outros. Esse serviço de pré-agendamento
é feito com base em especialidades que gera um registro numérico,
operando como um prontuário individual o qual é arquivado
para acompanhamento de novas consultas. (BIANCHINI, POZZEBON e ALMEIDA,
2002). Conta também com Centros de Saúde Mental, Unidades
de Atendimento Especializado, Unidade Ambulatorial de Especialidades,
tidos como Centros de referências (SMS, 2004);
- Vigilância
Sanitária, Centro de Controle de Zoonoses - que executam
ações de Vigilância em Saúde (SMS, 2004);
- Unidades
Móveis - que oferecem serviços de odontologia,
ginecologia, oftalmologia e planejamento familiar (SMS, 2004);
- PA
– Unidade de Pronto Atendimento – serviço
de Urgência e Emergência, que busca atender o mais rápido
possível ao episódio agudo, apresentando um processo de
trabalho desburocratizado, o qual exige apenas registros sumários
e controles simples das ações o que permite um rápido
acesso da clientela ao médico e á medicação
correspondente (TANAKA e ROSENBURG, 1990);
- PSF
- Programa de Saúde da Família – são
Equipes de Saúde da Família e Equipes de Saúde
Bucal, multidisciplinar e interdisciplinar, formada por um médico,
um enfermeiro, um ou dois auxiliares de enfermagem, seis a dez agentes
comunitários de saúde, com uma população
alvo de 600 à 1000 famílias, que trabalham unidas, em
conjunto, mas que existem atribuições específicas
para ambas e para os membros de cada uma. As atribuições
comuns são: conhecer a realidade das famílias pelas quais
são responsáveis; identificar problemas de saúde
e situações de risco; elaborar participações
das comunidades; realizar visitas domiciliares; auxiliar na implantação
do Cartão Nacional de Saúde, além de outras. (ALEXANDRIA,
2005).
De
acordo com as normas internas da Secretaria Municipal de Saúde
da Prefeitura Municipal de Salvador, os PSFs são geridos por Comissões
Gerenciais rotativas com período de duração de quatro
meses, aos quais competem (SMS,2004):
-
conhecer a estrutura organizacional administrativa da SMS;
- recepcionar
visitantes oficiais e não oficiais;
- zelar
pela conservação do patrimônio;
- orientar
os profissionais quanto ao uso de equipamentos e outros;
- orientação
técnica ao pessoal de serviço de higienização;
- participar
das atividades em organização de eventos;
- solicitar
treinamento, sempre que julgar oportuno;
- facilitar
o processo de trabalho de equipes;
- receber
e distribuir eqüitativamente entre as equipes, vales transportes
e tíquetes refeição referentes a eventos;
- representar
a Unidade de Saúde da Família em reunião pela Secretaria
de Saúde e/ou Distrito Sanitário;
- solicitar
ao Assistente Administrativo o abono criterioso das faltas dos profissionais,
quando necessário, bem como justificar os atrasos;
- enviar,
regularmente, obedecendo aos prazos pré-estabelecidos, documentação
e relatórios;
Os
Centros Públicos de Saúde em estudo, ligados aos Distritos
Sanitários da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador,
(Figura 1) por serem Unidade de Pronto Atendimento, Unidade Básica
de Saúde, Programa Saúde da Família, Unidades Móveis,
Centros de Saúde Mental, Unidades de Atendimento Especializado,
Vigilância Sanitária e Centro de Controle de Zoonoses, disponibilizam
1633 itens de materiais aproximadamente, acrescido de mais 319 itens de
medicamentos de ambulatório e emergência, além de
70 medicamentos controlados, conforme quadro descritivo abaixo, os que
são utilizados nos CPS.
Verificou-se
que Unidades Básicas de Saúde – UBS, Unidades de Pronto
Atendimento – PA e Programa de Saúde da Família -
PSF disponibilizam medicamentos para o público atendido nesses
Centros, bem como para qualquer usuário que porte uma receita médica.
É visto também, que esse tipo de serviço é
importante, face a impossibilidade de aquisição desse medicamentos
por parte dos usuários carentes. (BIANCHINI, POZZEBON e ALMEIDA,
2002).
Segundo o SMS (2004), através do Plano de Assistência Farmacêutica,
o elenco básico de medicamentos de 169 itens passa para 389. O
município de Salvador para agilizar o suprimento na rede passou
a utilizar a modalidade registro de preços/pregão eletrônico.
Em 2004 foram atendidas 1.726.115 receitas, superando 2003 em 92,7%.
O Plano de Assistência Farmacêutica contempla os Distritos
Sanitários (Figura 1) com no mínimo dois Farmacêuticos.
(SMS, 2004). Esses profissionais têm relevância para àqueles
centros que distribuem medicamentos a população, no sentido
de esclarecimento quanto à posologia e informações
gerais.
4 PROCEDIMENTOS DE PESQUISA
A
metodologia utilizada para a estruturação do trabalho está
baseada na classificação de Vergara (2004). A autora relaciona
os tipos de pesquisa a partir de duas classificações: quanto
aos fins e quanto aos meios.
Quanto aos fins foram utilizadas as seguintes pesquisas: exploratória
como fase inicial de levantamento de dados para elaboração
do projeto de pesquisa, a estruturação do trabalho e fundamentação
teórica; descritiva, ao analisar dados obtidos com a pesquisa de
campo, expondo as características do fenômeno e apontando
as variáveis intervenientes; e explicativa ao identificar fatores
que contribuíram para a compreensão da gestão de
suprimentos nos Centros Públicos de Saúde da Prefeitura
Municipal de Salvador, buscando explicar os fatores que interferem nesse
fenômeno.
Quanto aos meios, utilizou-se a pesquisa documental e bibliográfica,
principalmente na fase da pesquisa exploratória. A fim de levantar
dados secundários acerca do objeto de estudo, buscou-se, para análise,
documentos de propriedade dos Centos Públicos de Saúde da
Prefeitura Municipal de Salvador e as melhores referências bibliográficas
para revisão e construção do arcabouço teórico.
Ainda quanto aos meios, foi desenvolvida uma pesquisa de campo com a finalidade
de obtenção de dados primários para a pesquisa descritiva,
através da aplicação de um questionário, (Apêndice
A), com perguntas abertas e fechadas. As perguntas fechadas também
se constituíram de perguntas de múltipla escolha e dependentes
(MALHOTRA,2001).
A pesquisa foi realizada no período de 01 a 30 de junho de 2005,
em seis Centros Públicos de Saúde, geográfico e economicamente
estratégico (Figura 1) e contemplou, pelo menos, um tipo de cada
estabelecimento de saúde, ou seja, Unidade Básica de Saúde
(UBS), Unidade de Pronto Atendimento (PA) e Unidade de Programa de Saúde
da Família (PSF), os quais desenvolvem atividades diferenciadas
com públicos diversos.
Para definição da amostra, o arcabouço amostral utilizado
foram maiores índices de atendimento e acessibilidade. (MALHOTRA,
2001 e VERGARA, 2004), contemplando quatro dos doze Distritos Sanitários
(Figura 1).
Apesar do impedimento da elaboração de algumas inferências,
o caráter descritivo do trabalho já é de grande relevância,
para entendimento dos desafios subjacentes à qualidade e eficiência
dos serviços fornecidos nos CPS da PMS.
A técnica de amostragem utilizada tem como ponto forte, baixo custo
e não consome tempo. As limitações desta técnica
referem-se à não permitir a generalização
subjetiva. (MALHOTRA, 2001).
4.1
POPULAÇÃO
O
universo da amostra tem como população-alvo os Centros Públicos
de Saúde da Secretaria Municipal de Saúde da PMS, que compreendem
um total de cento e dezesseis estabelecimentos de saúde, conforme
Quadro 4, distribuídos entre doze Distritos Sanitários (Figura
1).
De acordo com SMS (2004), o Município de Salvador está localizado
na região litorânea do Estado da Bahia, com uma área
de 324.53 km2, apresentando uma população de 2.592.239 habitantes
no ano de 2004 (IBGE), sendo 47% do sexo masculino e 53% para o sexo feminino.
A divisão
dos Distritos, conforme cita SMS (2004), mantém uma interface com
as dezessete Regiões Administrativas – AR, que compõem
o município, as quais registram diferenças expressivas entre
si, refletindo às diversidades econômica/social.
Ainda conforme SMS (2004), o Distrito que apresenta a maior área
territorial é do Subúrbio Ferroviário, (área
integrante da amostra pesquisada) enquanto que as maiores concentrações
populacionais, em números absolutos, são encontrados nos
Distritos Sanitários de Pau da Lima e Barra/Rio Vermelho, (área
integrante da amostra pesquisada). Entretanto, é o Distrito da
Liberdade que apresenta a maior densidade demográfica. Fica claro
que o Distrito Sanitário tem como objetivo facilitar a instauração
de modelos alternativos como base para a construção do SUS.(SMS,2004).
Em SMS (2004),
observa-se um crescimento na produção de serviços
da Atenção Básica no período de 1996 à
2004, passando de 647.773 para 10.058.536.
A aplicação do questionário (Apêndice A), instrumento
de coleta de dados utilizado, privilegiou a dimensão geográfica
buscando atingir os pontos extremos e estratégicos com o objetivo
de avaliar o cliente assistido e o tratamento dispensado a cada Centro
Público de Saúde com realidades distintas, demonstrado na
Figura 1.
Figura 1- Mapa da cidade de Salvador - Distribuição dos
distritos sanitários.

Fonte:
SMS, 2004.
4.2
AMOSTRA
A
aplicação do questionário deu-se, inicialmente, como
pré-teste, para profissional da área gerencial, a fim de
avaliar o instrumento de coleta de dados para possíveis ajustes,
antes da aplicação à amostra.
Após os ajustes devidos, avaliados no pré-teste, o questionário,
(Apêndice A), destinou-se a respondentes deliberadamente escolhidos
entre os funcionários que desempenham atividades diretamente relacionadas
com o tema, com pelo menos dois anos de permanência em cada unidade
pesquisada e detentores de informações específicas
da pesquisa.
Apesar de alguns respondentes se mostrarem resistentes a responder questionamentos
expressando opiniões particulares e identificação
dos mesmos, minaram-se as resistências quando esclarecido e enfatizado
o cunho científico da pesquisa e a perspectiva de divulgação
de resultados sugerindo melhorias para o tema central da pesquisa.
O Quadro 6 caracteriza
individualmente cada amostra pesquisada, com dados específicos,
demonstrando seu perfil, não podendo, no entanto, ser mais criterioso
por falta de informações precisas.
Caso haja distorções relativas a realidade de algum CPS
da PMS, recomenda-se aprofundar o estudo ou ampliação da
amostra, pois como trata-se de estudo exploratório, não
se ateve a questões estatísticas rigorosas.
5. O ESTADO ATUAL DA GESTÃO DE SUPRIMENTOS NOS CENTROS
PÙBLICOS DE SAÙDE
Retratando
as dimensões e atributos demonstrados no Quadro 2, identifica-se
na prática, a situação encontrada nos CPS da PMS,
através de visita in loco, a não preocupação
com a área de suprimentos, descrevendo os principais problemas,
já citados na análise de referencial teórico.
5.1 MATERIAL
Embora
a SMS (2004), afirme que a gestão de materiais dos Centos Públicos
de Saúde – estoque, controle, armazenagem e dispensação,
dispõe atualmente de sistema informatizado, que produz, mensalmente,
demonstrativo do consumo de cada unidade, verificou-se na prática,
através de pesquisa de campo, (Figura 2) uma realidade diferente.
Figura 2 – Fluxo
de suprimento nos Centro Públicos de Saúde da PMS

Fonte: Elaboração
própria, pesquisa de campo.
A pesquisa demonstra
que 62,5% dos Centros Públicos de Saúde pesquisados não
possuem sistemas informatizados, exercendo o controle de suprimentos manual
e informalmente.
Figura 3 - Controle
de validade de materiais e medicamentos dos CPS da PMS.

Fonte: Elaboração própria, pesquisa de campo.
É visto que, nos CPS o controle de validade de itens é feito
de forma manual, 33,3%, e informalmente, 33,3%. A soma destes superam
os 33,3% que utilizam sistema computadorizado. Fica evidente que não
existe domínio ou preocupação com as perdas.
Figura 4 - Índice
de recebimento de medicamentos vencidos e a vencer nos CPS da PMS.

Fonte: Elaboração
própria, pesquisa de campo.
A Figura 4 demonstra que 50% dos CPS não recebem medicamentos vencidos
ou a vencer, enquanto 25% diz eventualmente acontecer. Estes CPS não
fazem registro destas perdas, o que impossibilita a demonstração
de resultado estatístico.
A Gestão de Suprimentos dos Centros Públicos de Saúde
atualmente é feita de forma precária, uma vez que depende
de um Almoxarifado Central, ligado diretamente a SMS, o qual trabalha
de forma centralizadora e não integrada às unidades dependentes
desse serviço. A não existência formalizada de uma
rotina, bem como a falta de prioridade política e descontrole de
uso do bem público reforça esse estado de precariedade.
(VECINA NETO e REINHARDT FILHO, 1998).
Figura 5 – Índices de falta de materiais nos CPS.

Fonte:
Elaboração própria, pesquisa de campo.
Compete
ao administrador encontrar um ponto de equilíbrio na gestão
do estoque, uma vez que não deve haver excessos, por gerar um custo
adicional com pessoal, equipamentos, armazenagem, além de maior
possibilidade de extravios e falta por trazer prejuízos ao funcionamento
da organização. Ambos são prejudiciais ao processo
de gestão (MARTINS, 2003).
Apurou-se na pesquisa que um dos motivos da precariedade do atendimento
nos Centro Públicos de Saúde são os índices
de falta de materiais. Conforme demonstra a Figura 5, 75% das unidades
pesquisadas têm falta de materiais freqüentemente, sendo atribuído
(Figura 6) 62,5% à falha da Coordenação do Almoxarifado
Central.
Figura 6 - Justificativa da falta de materiais nos CPS.

Fonte: Elaboração
própria, pesquisa de campo.
5.2 MOVIMENTAÇÃO
Da
amostra pesquisada 62,5% responderam que os reabastecimentos de materiais
aos Centros Púbicos de Saúde são realizados mensalmente,
enquanto 37,5% diz ser semanalmente. Esclarecendo que semanalmente é
prioridade dos Prontos Atendimentos –PAs, Centros que funcionam
vinte e quatro horas.
Figura 7 - Freqüência de reabastecimento de materiais aos CPS.

Fonte:
Elaboração própria, pesquisa de Campo.
Embora os CPS não façam uso de sistema computadorizado,
37,5% dos respondentes consideram a distribuição interna
de itens, regular, enquanto 25% consideram bom e ótimo esse serviços.
Figura 8 - Como é
considerada a reposição de materiais nos CPS da PMS.

Fonte: Elaboração
própria, pesquisa de campo.
Os
CPS, conforme pesquisa de campo, sofrem com os atrasos freqüentes
na entrega dos itens solicitados, 62,5%, o que compromete os serviços
prestados ao cliente final.
Figura
9 - Atrasos no reabastecimento de itens nos CPS da PMS.

Fonte: Elaboração
própria, pesquisa de campo.
A conferência de itens recebidos nos CPS é feita, em primeira
instância, por volume e posteriormente confere-se por especificação
e quantidade de itens.
A pesquisa de campo demonstra que 87,5% dos CPS encontram divergências
na entrega dos itens solicitados, sendo que, 50% diz acontecer raramente
e 25% assegura acontecer quase sempre, (Figura 10), o que comprova a falta
de planejamento do setor responsável quanto ao processo de distribuição,
corroborada pela ausência de um Sistema Computadorizado de Informações
Integradas, além de pessoas treinadas e capacitadas para o processo
de Gestão de Suprimentos.
Figura 10 –
Divergência entre materiais requisitados e recebidos nos CPS.


Fonte: Elaboração
própria, pesquisa de campo.
Viana
(2002), cita que inventário físico é uma contagem
periódica dos itens existentes no estoque para efeito de comparação
com o controle registrado, identificando possíveis falhas de rotina
ou de sistema, corrigindo-as.
O autor retrata também que, o inventário anual carece de
mais esforço, traz mais transtorno, falhas, dificuldades em identificar
as divergências e reduz o nível de confiabilidade comparado
ao inventario rotativo, o qual se utiliza recurso de informática.
(VIANA, 2002).
Figura
11 – Periodicidade de inventário nos CPS.

Fonte:
Elaboração própria, pesquisa de campo.
Essa
afirmação é demonstrada na Figura 11, em que 87,5%
da amostra realiza inventário anualmente e 62,5% encontra inconformidade,
Figura 12, o que demonstra a necessidade de se fazer inventário
com maior periodicidade, em razão de se ter melhor controle dos
itens necessários ao funcionamento dos CPS.
Figura 12 - Inconformidade
de inventário nos CPS.

Fonte: Elaboração
própria, pesquisa de campo.
5.3 ESTOCAGEM
Da
amostra pesquisada 37,5% não possui padronização
de formulários relacionado à área de suprimentos
nos Centros Públicos de Saúde mas, 62,5% faz uso de formulários
sendo seu preenchimento realizado manualmente (Figura 13).
Figura 13 –
Uso de formulários padronizados na área de suprimentos dos
CPS.

Fonte: Elaboração
própria, pesquisa de campo
Almoxarifado,
palavra derivada do termo Árabe, AL – MAKHEN, que significa
depositar, é definido como o local destinado à fiel guarda
e conservação de materiais.(VIANA, 2002).
Martins (2003) afirma que em um almoxarifado o armazenamento tem como
primordial objetivo à utilização do espaço
nas três dimensões, m3, o que otimiza sua organização.
As instalações físicas devem proporcionar movimentação
rápida e fácil, observando alguns cuidados básicos:
-
local coberto ou não;
- layout
adequado;
- embalagens
convenientes;
- ordem
e limpeza constante;
- segurança
patrimonial contra furtos e incêndios.
Figura 14 - Equipamentos
disponíveis no almoxarifado / farmácia nos CPS.

Fonte: Elaboração
própria, pesquisa de campo.
Verifica-se que os equipamentos disponíveis nos almoxarifados dos
Centros Públicos de Saúde são: 100% Estantes, 88%
mesas e cadeiras, 75% prateleiras, 63% armários e 25% computadores,
Figura 14, sendo estes considerados pelos clientes internos, 75% , insuficientes
(Figura 15).
Figura
15 – Insuficiência de equipamentos nos almoxarifados dos CPS

Fonte:Elaboração
própria, pesquisa de campo.
Quanto à localização dos almoxarifados e farmácias
nos CPS, os respondentes consideram, 62,5%, boa, enquanto 25% diz ser
ótima, Figura 16.
Figura 16 - Como
é considerada a localização do almoxarifado e farmácia.

Fonte: Elaboração
própria, pesquisa de campo.
5.4 PESSOAL
A
gestão de suprimento também envolve pessoas. Surge então,
o que se denomina Colaborador do Conhecimento, com domínio de novas
formas de obtenção dos objetivos da organização,
principalmente no que se refere à tecnologia a informação
e todos os recursos que ela disponibiliza. (MARTINS, 2003).
Slack (2002), cita que o projeto de trabalho envolve decidir quais tarefas
alocar para cada pessoa na organização, onde alocar o trabalho,
quem mais deve estar envolvido com ele, como interagir e quais habilidades
deverão ser desenvolvidas.
A capacitação de pessoal por competência se faz necessário
para desenvolvimento de atividades em qualquer área.
Nota-se que nos Centros Públicos de Saúde, conforme demonstra
a Figura 17, não há preocupação em capacitar
pessoal nas atividades ligadas a suprimentos. Percebe-se que os cursos
oferecidos se restringem a programas relacionados a área fim.
Figura
17 – Tipos de cursos oferecidos nos Centros Públicos de Saúde.

Fonte:
Elaboração própria pesquisa de campo.
Os
cursos oferecidos pela Secretaria Municipal de Saúde referem-se
a Programas Específicos, tais como DST/AIDS, Planejamento Familiar,
Saúde Bucal, Hipertensão e Diabetes. Esses programas fazem
parte do Sistema Único de Saúde, por determinação
do Ministério da Saúde.
Figura
18 - Existência de regimento por atividade e competência na
área de suprimentos.

Fonte: Elaboração
própria, pesquisa de campo.
A
pesquisa de campo confirma a inexistência de regimento direcionada
a área de suprimentos em 62,5% dos CPS, Figura 18.
Figura
19 – Como é considerada a Gestão de Suprimentos nos
CPS.

Fonte:
Elaboração própria, pesquisa de campo.
Os
37,5% dos respondentes da pesquisa consideram a gestão de suprimento
dos Centros Públicos de Saúde, insatisfatória, enquanto
25% admite que pode melhorar ou julga satisfatória. 12,5% dos respondentes
não expressaram opinião, demonstrando com isso a pouca seriedade
dispensada a essa área.
Uma vez questionados quanto à importância da Gestão
de Suprimento para os Centros Públicos de Saúde, 50% dos
respondentes consideram necessária e importante e apenas 12,5%
consideram indispensáveis, mas não consolida essa importância
além da expressão verbal, deixando claro a falta de conhecimento
desta área de competência, justificada pela ausência
de capacitação dos colaboradores envolvidos na Gestão
de Suprimentos (Figura 17 e 18).
Pela análise dos resultados da pesquisa e visita in loco, conclui-se
que a Gestão de Suprimentos nos Centros Públicos de Saúde
é feita de forma simples e informal, sendo tratada pelos seus gestores
apenas como depósito de materiais.
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Buscou-se
traçar um perfil dos respondentes e dos Centros Públicos
de Saúde, como se pode verificar nas questões inicias da
pesquisa, Apêndice A. Porém esbarrou-se em resistência
por parte dos respondentes, que se mostraram temeroso em identificar-se.
Para evitar uma situação de insegurança e comprometimento
da veracidade das informações como um todo, permitiu-se
o não preenchimento destas questões, ficando, portanto impossibilitado
de traçar o perfil destes respondentes e dos Centros Públicos
de Saúde, com maior precisão.
Na análise das dimensões e atributos, que nortearam essa
pesquisa, conclui-se resultados insatisfatórios (Quadro 7).
Nota-se com isso comprometimento da qualidade dos serviços prestados
ao cliente interno (setores que se relacionam com a área de suprimentos)
e cliente final (usuários dos serviços de saúde),
considerando a deficiência dos recursos humanos, estrutura física
e materiais atualmente.
Entende-se que
gestão de suprimentos é de acentuada importância para
as organizações em geral. Em meios privados, essa importância
é bem elevada o que não é percebido em setores públicos.
A inadequação de métodos e procedimentos, por desconhecimento
ou por despreparo dos profissionais ligados a essa área, dificulta
e inviabiliza perspectivas de melhoria dessa área temática.
A grande maioria dos gestores foca seus esforços na atividade fim,
serviços de saúde, e relegam a atividade meio, administração
de materiais, a um segundo plano, o que traz conseqüências
graves para a gestão como um todo, já que compromete o bom
atendimento ao cliente final.
Essa situação, percebida na análise de referencial
teórico, se comprova com a aplicação de pesquisa
de campo, a qual demonstra as falhas, a falta de padronização
dos serviços, a inexistência de sistema integrado, assim
como a pouca importância atribuída por seus gestores a essa
área.
Figura
20 – A Importância da Gestão de Suprimentos nos CPS.

Fonte:
Elaboração própria, pesquisa de campo.
Percebe-se que nos Centros Públicos de Saúde além
da inexistência de procedimentos padronizados quanto à forma
de distribuição, inexiste também pessoal devidamente
qualificado para essa atividade.
A Figura 20 demonstra a visão que os colaboradores internos têm
dessa área, onde 50% define a gestão de suprimentos como
necessária e importante, embora não haja formalmente esse
reconhecimento pela Coordenação do Almoxarifado Central,
inviabilizando, portanto, o processo de melhoria e modernização
dessa área.
Respondendo aos objetivos específicos deste trabalho, a pesquisa
demonstrou que o funcionamento da área de suprimentos dos Centros
Públicos de Saúde da Prefeitura Municipal de Salvador, funciona
de maneira simples, sem um regimento formalizado, não contando
com um Sistema Computadorizado Integrado, Almoxarifado Central e Centros
Públicos de Saúde, sendo o processo, solicitação,
recebimento, armazenamento e distribuição interna feita
de forma manual e informal, sem nenhum critério, existindo apenas
recomendações do Almoxarifado Central, porém estas
não são fiscalizadas ou controladas, permitindo descaso
por parte das pessoas responsáveis por esta área.
Sugere-se uma maior atenção por parte dos gestores, capacitando
seus colaboradores, a fim de dispensar um melhor atendimento aos Centros
Públicos de Saúde, suprindo-os de maneira regular e satisfatória,
evitando falhas e faltas, além de reduzir custos com estoques,
perdas, desperdícios e desvios.
Este trabalho desperta para novos questionamentos a respeito da relevância
da Gestão de Suprimentos como atividade crítica para a satisfação
do atendimento ao cliente final dos Centros Públicos de Saúde.
REFERÊNCIAS
ALEXANDRIA,
Fabiano Oliveira de. O que é PSF? Disponível
em: <http://www.sobral.ce.gov.br/saudedafamilia/ini_psf.htm>
Acesso em: 23 abr. 2005.
AZEVEDO,
Suzana Carneiro de. O processo de gerenciamento x gestão
do trabalho do enfermeiro. Natal, 2000. Disponível em:
<http://www.observatorio.nesc.ufrn.br/texto_politica05.pdf>,
Acesso em: 23 abr. 2005.
BIANCHINI,
Josiane rosa lima, POZZEBON, Eliane, ALMEIDA, Maria Aparecida F. Sistema
de informação hospitalar no Planalto Serrano Catarinense.
In: XXIX SEMINÁRIO INTEGRADO DE SOFTWARE E HARDWARE, EVENTO INTEGRANTE
DO XXVII CONGRESSO DA SBC, 2002, Florianópolis. Anais ... Florianópolis,
2002. Disponível em: <http://www.das.ufsc.br/~eliane/artigos/pozzebon02c.pdf>
Acesso em: 30 abr. 2005.
CORREIA
NETO, Jocildo Figueiredo, OLIVEIRA, Francisco Correia de. Análise
do nível de adoção do E-Procurement a fim de integrar
a cadeia de suprimentos nos hospitais de Fortaleza. In: XXVII
ENANPAD – ENCONTRO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL
DE PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO,
2003, Atibaia. Anais eletrônicos ... Atibaia: CMA/UNIFOR, 2003.
CD Room. Diponível em: <http://www.anpad.org.br/frame_enanpad2003.html>
Acesso em 23 abr. 2005.
DIÁRIO
OFICIAL DO MUNICIPIO (DOM). Salvador: Prefeitura Municipal de
Salvador, 03 dez. 2002. Diário.
Documento
Eletrônico obtido no URL. Disponível em: <http://www.famema.br/saudedafamilia/equipe1.htm>
Acesso em: 23 abr. 2005.
GOMES,
Mário Cândido de Oliveira. Situação
da saúde pública no Brasil. 2001-2002. Disponível
em: <http://www.biosaude.com.br/artigos/index.php?id=221&idme=9&ind_id=31>.
Acesso em 24 jul. 2005.
MALHOTRA,
Naresh. Pesquisa de Marketing: uma orientação aplicada.
3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.
MARTINS,
Petrônio Garcia, ALT, Paulo Renato Campos. Administração
de Materiais e Recursos Patrimoniais. São Paulo:Saraiva,
2003.
PATERNO,
Dario. Administração de Materiais: a logística
aplicada ao hospital. Curso de especialização em
Administração hospitalar. CEDAS – Centro São
Camilo de Desenvolvimento em Administração da Saúde.
São Paulo: Loyola, [199 -].
POZO,
Hamilton. Administração de recursos materiais e
patrimoniais: uma abordagem logística. 2. ed. São
Paulo: Atlas, 2002.
PROTIL,
Roberto Max, MOREIRA, Vilmar Rodrigues. Considerações
sobre a logística de suprimento em hospitais. In: XXVI
ENANPAD – ENCONTRO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL
DE PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO,
2002. Salvador. Anais eletrônicos ... Salvador: ANPAD, 2002. CD
Room. Disponível em: <http://www.anpad.org.br/enanpad/2002/dwn/enanpad2002-gol-1713.zip>.
Acesso em: 23 Abr 2005.
SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE (SMS). Assessoria Técnica
Relatório de Gestão. Salvador, 2004. Disponível
em:< http://192.168.122.15>.
Acesso: 14 jun. 2005.
SILVA,
Tatiana Dias. Inovações gerenciais em organizações
hospitalares privadas de Salvador. 2003. 126f. Dissertação
– (Mestrado em Administração) Escola de Administração,
Universidade Federal da Bahia, Salvador.
SLACK,
Nigel. Administração da Produção.
2. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
TANAKA,Oswaldo
Yoshimi, RESENBURG Cornélio Pedroso. Análise da
utilização pela clientela de uma unidade ambulatorial da
Secretaria da Saúde do Município de São Paulo.
Revista de Saúde Pública, São Paulo, Feb. 1990.Vol.24
no.1. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89101990000100010>.
Acesso em: 01 Mai. 2005.
VECINA
NETO, Gonzalo, REINHARDT FILHO, Wilson. Gestão de Recursos
materiais e de medicamentos. V. 12/1998. Disponível em:
<http://www.saudepublica.bvs.br/P/pdf/saudcid/Volume12.pdf>
Acesso em: 23 abr. 2005.
VERGARA,
Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração.
5. ed. São Paulo: Atlas, 2004.
VIANA,
João José. Administração de Materiais:
um enfoque prático. São Paulo: Atlas, 2002.
|