UNIME — União Metropolitana de Educação
e Cultura

Nilza
Gonçalo Izuno
Pesquisa de Mercado: Um Importante Instrumento de
Suporte no Processo Decisório do Micro e
Pequeno Empresário da Região de Lauro de Freitas.
Lauro de Freitas
2005
RESUMO
A
utilização da pesquisa de mercado entre os micro e pequenos
empresários de Lauro de Freitas foi o assunto central deste trabalho.
O trabalho foi executado em duas partes. A primeira parte constituiu-se
de uma revisão literária onde foram apresentados os principais
conceitos sobre pesquisa de mercado e um breve relato sobre as micro e
pequenas empresas no país. Na segunda parte, para obtenção
de dados primários, foram realizadas duas pesquisas distintas.
A primeira fase foi a pesquisa quantitativa junto a 40 micro ou pequenas
empresas do município, com o intuito de entender o grau de conhecimento
que os micro e pequenos empresários do município têm
sobre pesquisa de mercado e também identificar se esta ferramenta
essencial para o sucesso dos negócios é utilizada por este
público. Na segunda fase, foi realizada pesquisa qualitativa junto
a 3 institutos de pesquisas e o Sebrae com o objetivo de analisar o interesse
dos institutos em relação a esse público. Os resultados
das pesquisas foram primeiro analisados em separado e posteriormente em
conjunto para que se pudesse estabelecer uma conclusão.
PALAVRAS-CHAVE: PESQUISA DE MERCADO; MARKETING; INSTITUTOS
DE PESQUISA; MICRO E PEQUENAS EMPRESAS.
1. INTRODUÇÃO
O
propósito deste trabalho é analisar a importância
da pesquisa de mercado para os micro e pequenos empresários da
região de Lauro de Freitas.
A tarefa da pesquisa de mercado é avaliar a necessidade de novas
informações e fornecer à gerência informações
relevantes, precisas, confiáveis, válidas e atuais para
o processo de tomada de decisão nas empresas (Bacha, 1998; Mattar
1999; Kotler 2000; Churchill Jr e Peter 2000; Malhotra 2001; McDaniel
e Gates 2003).
Dentro deste contexto, o principal objetivo deste estudo foi identificar
as razões que dificultam o acesso do pequeno empreendedor à
ferramenta pesquisa de mercado, analisando se as causas estão centradas
na inviabilidade financeira ou na falta de conhecimento sobre o assunto.
Além disso, foi também analisado o interesse dos institutos
pesquisas em trabalhar com este segmento.
As micro e pequenas empresas exercem um papel essencial na economia brasileira,
sendo responsável por grande parte dos empregos gerados no país
(IBGE, 2004). De acordo com uma pesquisa realizada pelo SEBRAE (2004),
para se obter sucesso nas vendas, o empresário deve ter bom conhecimento
do mercado, que pode ser traduzido em alguns aspectos fundamentais da
condução dos negócios, como por exemplo, conhecer
a clientela potencial e quais produtos eles procuram, avaliar e procurar
as melhores fontes para a aquisição dos bens para a formação
do estoque da empresa, entre outros. No entanto, a mesma pesquisa aponta
que 60% das empresas encerram as atividades em até quatro anos.
Diante disso, foi levantada a questão se a pesquisa de mercado
é utilizada pelos micro e pequenos empresários da região
de Lauro de Freitas no processo decisório sobre a viabilidade ou
ampliação de seus negócios, este problema foi sustentado
pela hipótese verificada neste trabalho, de que os altos custos
da pesquisa de mercado e o desconhecimento desse valioso instrumento de
avaliação mercadológica inviabilizam sua utilização
junto aos empresários (micro e pequenos) de Lauro de Freitas.
Este estudo justifica-se pela importância destacada no decorrer
do curso de Administração com Habilitação
em Marketing, sobre a realização da pesquisa de mercado
para implantação ou ampliação de todos os
tipos de negócios. No entanto, os resultados da pesquisa do SEBRAE
(2004), ressaltam que a maioria das micro e pequenas empresas tomam decisões
apenas pela intuição de seus proprietários, sem que
estes busquem informações reais de forma estruturada sobre
as necessidades dos consumidores e também da situação
da concorrência. Este trabalho justifica-se ainda, na medida em
que, ao abordar um assunto muito relevante para o sucesso de empreendimentos
de todas as naturezas, centra o seu estudo nas organizações
de pequeno porte do município de Lauro de Freitas, buscando contribuir,
através do esclarecimento das variáveis intervenientes no
processo, para a melhoria da realidade local. Esta foi, portanto, uma
oportunidade de trazer para o empresariado local, no mínimo, o
conhecimento sobre o que vem a ser a pesquisa de mercado como instrumento
de marketing e qual a real posição em relação
à utilização desse instrumento por esse segmento.
O Trabalho se estrutura de forma bastante simplificada trazendo no Capítulo
I os principais conceitos sobre pesquisa de mercado. No Capítulo
II é apresentado um breve relato sobre as micro e pequenas empresas
no Brasil. Na seqüência, o Capítulo III apresenta os
resultados e análises da pesquisa de campo e na Conclusão
são referenciadas as principais observações e análises,
furto do processo de construção do trabalho.
2. PESQUISA DE MERCADO
2.1. HISTÓRICO E DEFINIÇÕES
A
pesquisa de mercado originou-se e se desenvolveu nos Estados Unidos da
América (EUA) a partir de 1910 obtendo destaque nas décadas
de 50 e 60 sendo até hoje o país que mais investe em pesquisas
(Mattar in Vieira, 2002, p. 62). No Brasil seu desenvolvimento deve ser
integrado à história da economia brasileira, em particular
ao desenvolvimento da indústria e ao desenvolvimento da publicidade
e da mídia, onde a necessidade de pesquisa foi primeiro sentida.
Nesta primeira fase, a clientela de pesquisa se restringia quase que às
empresas internacionais, que seguiam orientação das suas
matrizes (Bacha, 1998, p. 36).
Décadas se passaram e a área de pesquisas evoluiu muito
no Brasil (Quadro 1), porém ainda hoje seu desenvolvimento é
restrito e pouco se sabe sobre os hábitos de pesquisa de mercado
adotados pelas empresas brasileiras (Richers, 2003, p. 34).
Atualmente, em um mercado global em rápida mutação
de nossos dias, a tomada de decisões precisas, oportunas e eficientes
em custos é indispensável e Kotler (1999, p. 47-48), escreve
que a pesquisa é o ponto inicial não só para o marketing
como para qualquer planejamento estratégico da empresa. Através
dela as empresas são capazes de segmentar seus mercados, definir
qual será seu público-alvo, posicionar seus produtos/serviços
de forma a criar valor a esses clientes, desenvolver estratégias
no nível tático relativas ao mix de marketing, implementar
e controlar todo o processo monitorando e avaliando resultados, melhorando
sua estratégia, ou seja, ela levará a empresa a reconhecer
que os compradores em qualquer mercado normalmente diferem em suas necessidades,
percepções e preferências.
Segundo o IBOPE (2005), na última década houve um crescimento
vertiginoso no número de empresas de pesquisa no Brasil. Existe
hoje mais de 180 institutos cadastrados na ABEP - Associação
Brasileira de Empresas de Pesquisa, que tem como principal objetivo orientar
empresas e pessoas em busca de informações sobre o mercado
de pesquisa (ABEP, 2005).
Autores como Mattar (1999, p. 53), Kotler (2000, p. 125), Malhotra (2001,
p. 45), McDaniel e Gates (2003, p. 9), apesar de possuírem terminologias
próprias para definir o processo de pesquisa de mercado sintetizam
que ela é a coleta e análise sistêmica de dados com
o objetivo de melhorar a tomada de decisões relacionadas à
solução de problemas e oportunidades de uma organização.
Assim a pesquisa de mercado exerce o papel de provedora de subsídios
para a tomada de decisões em marketing (Malhotra, 2001, p. 39).
As denominações de pesquisa de mercado e pesquisa de marketing
são frequentemente e erroneamente, usadas como sinônimos.
Enquanto a primeira restringe o seu foco ao mercado da empresa ou de
um produto seu, a segunda compreende a pesquisa de todo tipo de dado
que diz respeito à atividade de marketing da empresa, incluindo
os elementos abrangidos pela pesquisa de mercado, como: levantamentos
de mercado, previsão da demanda e de vendas, pesquisa da imagem
da empresa e de seus produtos etc. (Mattar, 1999, 43).
Segundo
Bacha (1998, p.90) a pesquisa de mercado analisa participação
de mercado, identifica as preferências, hábitos e atitudes,
perfil dos consumidores, segmentação, imagem de marca ou
de instituições, intenção de compra, estudos
potenciais de mercado, tendências de negócios e imagem corporativa,
estudos para aquisições e diversificações.
As pesquisas de mercado são desenvolvidas com vistas a um ou mais
dentre três objetivos básicos:
-
Os objetivos de planejamento são de longo prazo em termos de
propósito e perspectiva. O objetivo de planejamento na pesquisa
está relacionado com geração de informações
relativas às amplas influências do ambiente externo que
afetam a capacidade da empresa de comercializar seus produtos e serviços
com sucesso.
-
A solução de problemas talvez seja o objetivo mais comum
da pesquisa de mercado. Quando uma empresa enfrenta uma questão
difícil no planejamento ou na execução do seu marketing,
ele recorre muitas vezes às informações de pesquisa
para que possa lidar com aquela questão especifica. Outra aplicação
da solução de problemas refere-se aos problemas operacionais
que exigem um cuidado imediato.
-
O controle como objetivo de pesquisa busca monitorar as atuais operações.
Mesmo que uma empresa não esteja passando por problemas específicos,
ela desejará ter um feedback da situação de todas
as fases de seu programa de marketing. Um valor exclusivo do objetivo
de controle é que ele possibilita aos estrategistas a mais rápida
identificação dos problemas quando eles efetivamente surgem.
Além disso, a pesquisa direcionada ao controle ajuda a empresa
a avaliar suas forças e fraquezas em todos os tipos de atividade
de marketing (Semenik e Bamossy, 1995, p, 80-81).
2.2.
ETAPAS DA PESQUISA
De
uma forma bastante clara e objetiva, segundo Mattar (1999, p. 43), um
processo de pesquisa de mercado compreende quatro etapas: reconhecimento
de um problema, planejamento, execução (coleta de dados,
processamento, análise e interpretação) e comunicação
dos resultados.
Reconhecimento de um problema e definição dos objetivos:
a pesquisa geralmente é motivada por um problema ou uma oportunidade
(Aaker, Kumar e Day, 2004, p. 67), desta forma, o reconhecimento do problema
é uma definição do propósito de um projeto
de pesquisa e na falta de uma definição específica
de direção e propósito, os projetos de pesquisa resultam
na perda de tempo e dinheiro e na geração de informações
não-utilizáveis (Semenik e Bamossy, 1995, p. 95).
Desenvolvimento do plano de pesquisa: compreende toda
parte operacional do projeto de pesquisa: (Kotler, 2000, p. 128).
- determinação
das fontes de dados: dados secundários ou dados primários;
- escolha
do método de pesquisa: levantamento, observação
e experimento;
- instrumento
de pesquisa;
- plano
de amostragem: quem será o público-alvo, quantas pessoas
devem ser entrevistadas e como devem ser selecionadas;
- método
de contato: como será feito contato com o cliente
Execução:
a execução da pesquisa compreende duas atividades: a coleta
dos dados e seu processamento, análise e interpretação.
(Mattar, 1999, p. 43)
-
Coleta de dados: é o efetivo trabalho de recolhimento de dados
junto às fontes de dados. É a etapa mais cara e mais critica
da pesquisa, pois está mais sujeita a erros e atrasos, exigindo
supervisão intensa e controle rígido para minimizá-los.
(Mattar, 1999, p. 43)
-
Análise dos dados: a finalidade dessa análise é
interpretar a massa de dados coletados e tirar conclusões a partir
dela, para isso poderão ser usadas desde técnicas simples
de análise de freqüência até complexas multivariações
(McDaniel Gates, 2003, p. 36-37).
Comunicação
dos resultados: é a apresentação escrita
e verbal das principais descobertas da pesquisa relacionadas ao problema/oportunidade
que lhe deu origem, bem como de sugestões e recomendações
de ações pertinentes a sua solução. (Mattar,
1999, p. 45)
2.3.
TIPOS DE PESQUISA
Existem atualmente diferentes nomenclaturas para designar os tipos de
pesquisa e os autores as subdividem de acordo com o enfoque principal
de informação que será dado ao estudo. Segundo Barros
(2002, p. 29) as metodologias empregadas na realização dos
projetos de pesquisa não diferem basicamente em seu conteúdo
e se distingue de acordo com as fontes de dados utilizadas, a amplitude
do estudo conforme os objetivos, o tipo de análise que pretendem
fazer – quantitativa ou qualitativa – de acordo com o controle
das variáveis em estudo.
No quadro 2 são apresentadas as várias classificações
utilizadas, tornando possível observar a grande quantidade de métodos
e variações de investigação para a realização
de pesquisas de mercado (Vieira, 2002, p. 63). Cada uma delas leva em
consideração aspectos diferentes como: natureza das variáveis
pesquisadas, natureza do relacionamento entre as variáveis estudadas,
objetivo e ao grau em que o problema de pesquisa está cristalizado,
forma para a coleta de dados primários, dimensão da pesquisa
no tempo, possibilidade de controle sobre as variáveis em estudo,
ambiente de pesquisa (Mattar, 1999, p.77).
Porém, neste artigo são abordadas as mais utilizadas que,
de forma ampla podem ser classificadas como pesquisas exploratórias
e conclusivas, sendo que esta se subdivide em causal e descritiva também
com sua própria classificação (figura 1).
Figura 1 – Tipos de Pesquisa de Marketing

Fonte:
Adaptado de MALHOTRA, NARESH K (2004).
2.3.1.
PESQUISA EXPLORATÓRIA
As
pesquisas exploratórias, também denominadas desk research,
são usadas para gerar hipóteses ou explicações
prováveis e identificar áreas para um estudo mais aprofundado
sobre a natureza de um problema (Churchill e Peter, 2000, p.126), tem
como principal característica a informalidade, a flexibilidade
e a criatividade e neles procura-se obter um primeiro contato com a situação
a ser pesquisada (Samara e Barros, 2002, p. 29).
A pesquisa exploratória reúne informações
de qualquer fonte que possa proporcionar idéias úteis, podem
ser levantamentos em fontes secundárias como consultas a revistas
especializadas, jornais e publicações; levantamento de experiências
através de entrevistas junto a profissionais experientes; estudo
de casos selecionados com exame de registros existentes, observação
da ocorrência do fato, entrevistas estruturadas, entrevistas não
estruturadas, etc. e também observação informal,
onde são observados continuamente objetivos, comportamentos e fatos
(Mattar, 1999, p. 82-85).
2.3.2.
PESQUISA CONCLUSIVA DESCRITIVA
A
maior parte das pesquisas de mercado é do tipo descritiva, também
chamada de ad-hoc, e como o próprio nome diz procuram descrever
situações. Segundo Bacha (1998, p. 57), elas possuem objetivos
bem definidos e formulados, obedecendo a procedimentos formais, estruturados
e dirimidas para a solução de problemas ou avaliação
de alternativas de cursos de ação. Uma importante diferença
entre a pesquisa exploratória e descritiva é que esta se
caracteriza pela formulação prévia de hipóteses
específicas.
Segundo Mattar (1999, p. 88), a pesquisa descritiva deve ser utilizada
quando o propósito for:
- descrever
as características de grupos;
-
estimar a proporção de elementos numa população
específica que tenham determinadas características ou
comportamentos;
-
descobrir ou verificar a existência de relação entre
variáveis.
As
pesquisas descritivas também podem ser classificadas como:
1.
transversais que envolvem a coleta de informações de qualquer
amostra de elementos da população somente uma vez, este
estudo pode ser transversal único ou transversal múltiplo
diferenciando-se apenas pelas amostragens, sendo na primeira extraído
somente uma amostra de entrevistados da população-alvo e
na segunda duas ou mais amostras; e
2. longitudinais que envolvem uma amostra fixa (ou várias) de elementos
da população, a qual é medida repetidamente ao longo
do tempo, em outras palavras, as mesmas pessoas são estudadas ao
longo do tempo (Malhotra, 2004, p. 109-110).
2.3.3.
PESQUISA CONCLUSIVA CAUSAL
De
acordo com Churchill e Peter (2000, p. 127), as pesquisas causais também
denominadas experimentais, procuram estabelecer relações
de causa e efeito entre as variáveis em estudo, ou seja, elas não
investigam simplesmente se há uma relação entre duas
variáveis, em vez disso, ela procura conforme Malhotra (2004, p.
113):
1.
compreender quais variáveis são a causa (variáveis
independente) e quais são o efeito (variáveis dependente)
de um fenômeno; e
2. determinar a natureza da relação entre as variáveis
causais e o efeito a ser previsto.
2.4.
ORÇAMENTO DA PESQUISA
As
decisões sobre a alocação de recursos – tempo,
dinheiro e recursos humanos – são uma parte importante do
planejamento do projeto de pesquisa (Aaker, Kumar e Day, 2004, p. 67).
Segundo McDaniel Gates (2003, p. 42), a administração dos
custos é direta e requer apenas a adesão a boas práticas
comerciais. Para isso, a empresa de pesquisa precisa ter bons processos
e procedimentos de rastreamento e controle de custos incorporados ao seu
trabalho.
Este mesmo autor afirma que os procedimentos para o controle dos custos
devem incluir os seguintes elementos:
Sistemas que captam de maneira precisa a coleta de dados e outros custos
associados ao projeto em uma base diária;
-
Relatório diário sobre os custos para os gerentes do projeto;
em condições ideais, os relatórios mostram os custos
efetivos em relação ao orçamento;
-
Políticas e praticas na organização de pesquisa,
que requeiram que os gerentes de projeto comuniquem o quadro orçamentário
aos clientes e aos gerentes seniores da empresa de pesquisa;
-
Políticas e praticas que identifiquem rapidamente situações
que ultrapassem o orçamento e em seguida as causas disso e as
soluções. McDaniel Gates (2003, p. 42)
De
acordo com Aaker, Kumar e Day (2004, p. 67), existem dois enfoques para
elaboração dos custos de uma pesquisa: estimar o custo em
dinheiro de cada uma das atividades envolvidas que é utilizado
geralmente quando o projeto for mais incomum ou oneroso; ou determinar
estas atividades em horas e atribuir estimativas-padrão de custos
para essas horas. Este enfoque é utilizado com freqüência
em pesquisas rotineiras ou quando o pesquisador tem um conhecimento razoável
dos custos destas atividades.
Muitas vezes os custos de um projeto de pesquisa podem ultrapassar as
expectativas do cliente e se o motivo estiver atribuído à
confiança das informações, podem ser oferecidas,
desde que não prejudique a validade e confiabilidade da pesquisa,
permissão para uma amostra menor, planejamento para entrevistas
mais curtas, ou ainda, opções como orçamentos para
custos maiores, ou outras combinações de opções
(McDaniel Gates 2003, p. 42).
Quando se trata de pesquisa de mercado, existem fatores que são
difíceis de precisar, como competências e aspectos observáveis,
em função da indisponibilidade de referências bibliográficas
que tratem sobre o tema.
3. MICRO E
PEQUENA EMPRESA
As
micro e pequenas empresas têm papel essencial na economia brasileira,
representando uma alternativa de ocupação para quem tem
condições de desenvolver um negócio e também
uma alternativa de emprego formal e informal para uma grande parcela da
população (IBGE, 2003, p. 9). Este quadro se despontou a
partir da década de 1980, quando a redução do ritmo
de crescimento econômico resultou em um maior nível de desemprego,
fazendo com que surgissem as primeiras iniciativas de incentivo à
abertura de micro e pequenas empresas. (IBGE, 2003, p. 15-16)
Atualmente existem no Brasil aproximadamente cinco milhões de micro
e pequenas empresas, sendo responsáveis por 48% do total da produção
nacional, 42% dos salários pagos e cerca de 43% da receita sobre
o valor bruto da produção na indústria, comércio
e serviços, ou seja, elas se tornaram um dos principais pilares
de sustentação da economia nacional, tanto pelo número
de estabelecimentos, quanto pela capacidade de gerar empregos (Branco,
2004).
Não existe um único critério para o enquadramento
das micro e pequenas, a classificação, no entanto, segue
a finalidade e os objetivos das instituições que a promovem,
portanto sua definição pode ser tanto por parte da legislação
específica, como por parte de instituições financeiras
oficiais e órgãos representativos do setor (IBGE, 2003,
p, 17). O quadro 3 sintetiza os critérios adotados para enquadramento
de micro e pequenas empresas.
Uma característica importante das micro e pequenas empresas conforme
destacado em estudo realizado pelo IBGE (2003, p. 9), é de que
80% da atividade total do segmento das micro e pequenas empresas tanto
em termos da receita gerada como das pessoas nele ocupadas estão
nas atividades de comércio e serviço.
De acordo com pesquisa realizada em 2004 pelo SEBRAE, o fechamento prematuro
de empresas no país tem sido uma das preocupações
da sociedade, pois 49,4% morrem com até dois anos de existência,
55,6% com até três, e 59,9% com até quatro anos.
As causas do alto índice de mortalidade das empresas no Brasil
estão fortemente relacionadas, em primeiro lugar, à falhas
gerenciais na condução dos negócios, seguida de causas
econômicas conjunturais e tributação. As falhas gerenciais,
por sua vez, podem ser relacionadas à falta de planejamento na
abertura do negócio, levando o empresário a não avaliar
de forma correta, previamente, dados importantes para o sucesso do empreendimento,
como a existência de concorrência nas proximidades do ponto
escolhido, a presença potencial de consumidores, dentre outros
fatores.
Por outro lado, os fatores condicionantes de sucesso são:
1.
habilidades gerenciais: o empresário deve ter bom conhecimento
do mercado em que a empresa atua, ele deve conhecer a clientela potencial
e quais produtos eles procuram, avaliar e procurar as melhores fontes
para a aquisição dos bens para a formação
do estoque da empresa, entre outros; o empresário deve também
adotar uma boa estratégia de vendas, ou seja, ele deve ter conhecimentos
sobre a melhor forma de colocar os produtos à venda, envolvendo
diversos quesitos, como a definição de preços de
comercialização compatíveis com o perfil do mercado,
estratégias de promoções das mercadorias e serviços,
marketing etc.;
2. capacidade empreendedora: os fatores de sucesso nessa categoria refletem
a disposição e a capacidade empresarial para comandar o
empreendimento, permitindo, por meio de habilidades naturais, descobrir
as melhores oportunidades de negócios, assumir os riscos envolvidos
no investimento de recursos financeiros e humanos em uma nova empresa
e conduzir os negócios em meio a adversidades e dificuldades que
surgem no dia-a-dia empresarial. As habilidades relativas à capacidade
empreendedora não podem ser adquiridas, sendo possível,
contudo, seu aprimoramento com novos conhecimentos e técnicas de
liderança e de gestão.
3. logística operacional: a capacidade do empresário de
utilizar de forma eficiente alguns dos mais importantes fatores de produção
utilizados na atividade empresarial, ou seja, o capital, o trabalho especializado,
e recursos tecnológicos disponíveis, reunindo-os na atividade
produtiva ou comercial da empresa para a obtenção dos melhores
resultados.
A
ausência de técnicas de gestão nas rotinas das empresas
ou sua aplicação errônea, certamente contribui para
o insucesso do negócio, como observa Resnik in Fernandes (2003,
p. 55) ao afirmar que “a má administração –
e não a economia, a concorrência, a inconstância dos
clientes ou o azar – é o fator que determina o fracasso”.
4.
METODOLOGIA DA PESQUISA
A
fim de compreender a importância da pesquisa de mercado para os
micro e pequenos empresários, o presente trabalho foi desenvolvido
utilizando como metodologia quanto aos fins, à pesquisa explicativa.
Esta pesquisa segundo Vergara (2004, p. 47), busca tornar o objeto de
estudo inteligível, esclarecendo os fatores que interferem no processo
de contratação da pesquisa de mercado por parte dos micro
e pequenos empresários. Para chegar à pesquisa explicativa
foram aplicadas as técnicas de pesquisa exploratória, através
de levantamento de referencial teórico e documental e pesquisa
descritiva através da pesquisa de campo aplicada junto aos micro
e pequenos empresários de Lauro de Freitas e aos institutos de
pesquisa.
Para a realização da coleta de dados foram realizadas duas
pesquisas de campo distintas para o estabelecimento de uma conclusão.
A primeira foi aplicada entre três institutos de pesquisa de Salvador
e Lauro de Freitas e ao Sebrae – Agência Costa dos Coqueiros
nos meses de junho e julho de 2005, através de entrevista em profundidade
para análise qualitativa, tendo como base um roteiro de perguntas
semi-estruturadas, seus depoimentos foram gravados e posteriormente transcritos
e analisados a fim de verificar se as micro e pequenas empresas fazem
parte de seu público-alvo. Na segunda, foram coletados dados através
de formulário com perguntas fechadas e dependentes, tendo como
base uma amostra de 40 micro ou pequenas empresas comerciais do município
de Lauro de Freitas, que possui 2.073 empresas comerciais segundo o Censo
do IBGE (2000). As empresas foram selecionadas de forma aleatória
durante o mês de maio de 2005.
No tocante aos dados secundários, foram utilizadas como fonte de
coleta, pesquisa bibliográfica, publicações escritas
e eletrônicas do IBGE e SEBRAE, e em autores de reconhecido saber
nas áreas estudadas. A preocupação expressa por Gil
(1999) em relação à confiabilidade dos dados obtidos
dessa forma é minimizada pela quantidade das fontes. Em essência,
buscou-se a leitura de originais e publicações oficiais.
Na etapa de análise dos dados foi utilizado o software SPSS, para
a tabulação e obtenção de informações.
Estas análises são apresentadas sob a forma de tabelas e
gráficos, que foram analisados individualmente e em conjunto, de
forma quantitativa (GIL, 1999, p.172-173).
5. RESULTADOS OBTIDOS
5.1. VISÃO DO MICRO E PEQUENO EMPRESÁRIO DE LAURO
DE FREITAS
Este
estudo buscou verificar se o micro e pequeno empresário do município
de Lauro de Freitas utiliza a pesquisa de mercado como ferramenta para
avaliar a viabilidade ou ampliação de seus negócios.
Desta forma, foi dada maior ênfase às questões relacionadas
diretamente a utilização da pesquisa de mercado para essa
finalidade.
5.1.1.
Perfil do empresariado de Lauro de Freitas
Mesmo
a pesquisa tendo apontado uma grande diversidade em relação
aos tipos de negócios instalados no município, pôde-se
observar no quadro 4 que foram entrevistados mais empresários que
optaram pela atividade de vestuário com 30% das respostas, seguida
das atividades de livraria e papelaria com 12,5% e informática
com 10%.
Ao serem questionados
sobre a escolha do segmento, 30% dos entrevistados apontaram como fator
determinante o conhecimento que já possuíam na área.
Os critérios relacionados à não existência
de empreendimento do segmento na região e o desejo de trabalhar
com o segmento escolhido obtiveram o mesmo número de respostas,
representando um percentual de 20% cada. Apenas 12,5% dos entrevistados
afirmaram ter feito a escolha de acordo com dados levantados através
pesquisa, um percentual baixo considerando-se que 10% abriram seus negócios
por sugestão de parentes ou amigos. Diante deste resultado, pôde-se
concluir que a maior parte dos empresários inicia seus negócios
sem obter informações claras sobre o mercado que vão
atuar.
Na questão relativa ao critério para escolha da localização
do estabelecimento, quase metade dos entrevistados (42,5%) escolheu o
local devido ao grande fluxo de pessoas nas proximidades; 17,5% devido
à baixa concorrência; 10% decidiram através de pesquisa
de mercado; 10% pelo poder aquisitivo da população; 7,5%
devido ao valor do imóvel e 12,5% indicaram outros fatores.
Foi observado que não existe uma preocupação muito
grande por parte dos micro e pequenos empresários em investir em
divulgação, pois 25% dos entrevistados afirmaram não
fazer nenhum tipo de divulgação do estabelecimento, 20%
utilizam apenas panfletos, 12,5% divulgam através de jornal/revista
de bairro. A maior parte dos 42,5% restantes se de mais de um canal de
comunicação associado a outros como rádio e jornais
de grande circulação.
5.1.2. Nível de conhecimento sobre pesquisa de mercado
O
resultado referente à questão que avalia o grau de conhecimento
sobre a ferramenta pesquisa de mercado mostrou que dos 40 empresários
entrevistados, 60% afirmaram conhecer a ferramenta e que 40% não
possuem nenhum tipo de informação sobre o assunto, representando
um percentual significativo que reforça parte da hipótese
levantada neste estudo.
Gráfico
1 – Conhecimento sobre Pesquisa de Mercado

Fonte:
Elaboração própria (2005)
No
entanto, dentre os 60% dos entrevistados que afirmaram conhecer pesquisa
de mercado, apenas 38% já haviam contratado uma pesquisa, enquanto
62% não haviam contratado. Este resultado pode ser indicativo de
que a pesquisa de mercado não é utilizada pelos micro e
pequenos empresários de Lauro de Freitas em função
do custo, além do que, confirma a idéia inicial de que as
decisões são tomadas apenas pela intuição
dos proprietários, sem informação efetiva sobre seus
clientes e concorrentes.
Gráfico
2 – Pesquisas Contratadas

Fonte:
Elaboração própria (2005)
Dentre
os nove empresários que responderam ter contratado a pesquisa,
56% consideraram como objetivo mais importante analisar o comportamento
de compra dos consumidores; seguido por segmentar o público-alvo
com 33% e analisar a concorrência com 11% das respostas.
Gráfico
3 – Objetivo da Pesquisa

Fonte:
Elaboração própria (2005)
Das
empresas que realizaram a pesquisa de mercado, 67% informaram que o custo
da pesquisa variou entre R$ 500,00 à R$ 1.500,00, entre os valores
de R$ 1.501,00 à R$ 2.500,00 somaram 22% dos entrevistados e entre
R$ 2.501,00 à R$ 3.500,00 apenas 11%.
Gráfico 4 –
Custo da Pesquisa

Fonte:
Elaboração própria (2005)
Quanto
ao índice de satisfação daqueles que realizaram pesquisa,
houve unanimidade no sentido de todos ficarem satisfeitos. Este resultado
é animador na medida em que os resultados da pesquisa atingem a
expectativa do empresário que a contrata, provando assim a sua
eficiência.
5.1.3.
Interesse por pesquisas de mercado
Desconsiderando-se
os 13% dos empresários que não realizariam a pesquisa de
mercado, o resultado desta questão, quando comparado aos resultados
da questão que trata dos objetivos dos empresários que contrataram
a pesquisa de mercado, revela que ele tem maior interesse em analisar
tanto o comportamento de compra do consumidor, como a sua concorrência.
Gráfico
5 – Intuito da Pesquisa

Fonte:
Elaboração própria (2005)
Dentre
os 13% que não realizariam pesquisa, 40% investiriam o capital
em outras ações, 40% fariam a pesquisa no próprio
estabelecimento e 20% dos entrevistados não quiseram ou não
souberam responder.
Gráfico
6 – Motivos para Não Realizar a Pesquisa

Fonte:
Elaboração própria (2005)
Em
relação a investimento, os dados levantados apontam que
29% dos micro e pequenos empresários não estariam dispostos
a investir em pesquisa, mais da metade dos entrevistados (53%) estariam
dispostos a aplicar de $ 500,00 à R$ 1.500,00 em pesquisa de mercado.
As demais categorias aparecem com representatividade muito baixa, apenas
6% de votos cada. Esses resultados reforçam a pouca disponibilidade
do empresário para investir em pesquisa de mercado, provavelmente
em função da sua condição de empresa de pequeno
porte.
Gráfico
7 – Investimento Máximo em Pesquisa

Fonte:
Elaboração própria (2005)
5.1.4.
Percepção dos institutos de pesquisa sobre o setor
Foi
incluída ao formulário uma pergunta específica para
verificar se os entrevistados já haviam sido procurados por um
instituto de pesquisa para realizar uma pesquisa, com a finalidade de
analisar o interesse dos institutos em relação ao segmento
de micro e pequenos empresários. Foi levantado que 85% dos entrevistados
nunca haviam sido procurados e apenas 15% foram procurados.
Gráfico
8 – Abordagem pelos Institutos

Fonte:
Elaboração própria (2005)
Dentre
os 15% dos entrevistados que foram procurados por um instituto de pesquisa,
67% afirmaram não terem realizado a pesquisa e 33% realizaram a
pesquisa.
Gráfico 9 –
Pesquisas Contratados (com Abordagem dos Institutos)

Fonte: Elaboração
própria (2005)
A
falta de interesse em realizar a pesquisa na ocasião em que foram
procurados pelos institutos, foi o único fator apontado pelos 75%
dos entrevistados que não contrataram a pesquisa enquanto 25% não
souberam ou não quiseram responder.
Gráfico
10 – Motivos para Não Realizar a Pesquisa (com Abordagem
dos Institutos)

Fonte:
Elaboração própria (2005)
5.2.
VISÃO DOS INSTITUTOS DE PESQUISA E SEBRAE
Esta
fase do estudo se constituiu em levantar informações sobre
o mercado de pesquisa no Brasil e mais especificamente entre os micro
e pequenos empresários do município de Lauro de Freitas
junto a três especialistas de institutos de pesquisas e o Sebrae.
Os institutos de pesquisa receberam códigos numéricos seguindo
a ordem em que foram entrevistados. Esta codificação foi
criada somente com o objetivo de facilitar a análise das informações
e também a compreensão do leitor.
O quadro 9 demonstra de forma resumida, sob o ponto de vista de cada instituto
entrevistado e do Sebrae, os aspectos mais importantes sobre o mercado
de pesquisa em Lauro de Freitas.
5.2.1. Perfil do empresariado e nível de conhecimento sobre pesquisa
de mercado
Através
de opiniões dos entrevistados sobre a utilização
da pesquisa de mercado no Brasil, pôde-se notar que existem diversos
fatores que justificam a sua utilização. Na visão
do instituto 1, a concorrência em nível globalizado tem sido
um dos fatores determinantes para as empresas buscarem informação,
consequentemente fazendo com que esse mercado crescesse o que coincide
com a opinião do instituto 3 ao afirmar que o mercado tende a crescer,
isto porque as pessoas estão começando a compreender sua
importância, já que pesquisa de mercado no Brasil é
uma ferramenta relativamente nova e que se desenvolveu principalmente
a partir da década de 1970.
O instituto 2 corrobora com esta idéia ao levantar que ainda existe
desconhecimento dos benefícios que uma pesquisa pode trazer para
a empresa, desde antes de sua implantação, quando deveriam
ser mensurados pontos fundamentais como: perfil do público-alvo,
estratégias da concorrência, localização adequada
para instalação do negócio e principalmente durante
o tempo em que negócio estiver ativo.
Os três institutos de pesquisa concordaram que o mercado de pesquisas
se desenvolveu mais nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, porque
lá existe uma maior concentração de grandes empresas
e multinacionais, que são as que mais contratam pesquisa.
5.2.2.
Interesse das micro e pequenas empresas por pesquisas de mercado
Quando
perguntados sobre o costume das empresas de Lauro de Freitas em fazer
pesquisa de mercado, mesmo colocadas de maneiras diferentes, as respostas
revelaram um único resultado: as micro e pequenas empresas de Lauro
de Freitas não realizam pesquisa de mercado para verificar a viabilidade
ou ampliação de seus negócios.
Sob o ponto de vista do instituto 1, existe neste público a falta
de cultura em pesquisar, “as pessoas são muito empreendedoras,
tem boas idéias e elas partem da idéia para execução,
na maioria das vezes sem buscar informações sobre o que
implementar, sobre o que eles estão atuando, é muito na
intuição” (Painel Brasil, 2005).
Tanto o instituto 2 como o 3 já havia realizado pesquisas no município
para empresas de Salvador, porém com objetivos distintos: o instituto
3 realizou pesquisas com objetivo de verificar a aceitabilidade de produtos,
enquanto o instituto 2 realizou a pesquisa para uma empresa que queria
se instalar no mercado de Lauro de Freitas.
A falta de interesse dos micro e pequenos empresários por pesquisas
está diretamente relacionada aos custos da pesquisa, tanto que
os institutos são unânimes ao mencionar que realmente não
é um custo baixo, porque como colocado pelo instituto 1 “as
pessoas vêem como custos, mas na verdade é um investimento...
tendo uma série de fatores envolvidos que encarecem, então
realmente pesquisa não é uma coisa barata” (Painel
Brasil, 2005).
Os institutos 2 e 3 observam que o custo da pesquisa depende muito do
tipo de técnica que será utilizada, do público que
será ouvido, da quantidade de pessoas que serão entrevistadas,
ou seja, depende das variáveis fixas envolvidas. Embora sendo complicado
mencionar valores, o instituto 3 citou que podem existir trabalhos variando
de R$ 3.000,00 até R$ 40.000,00, ficando muito distante da opinião
de mais da metade dos empresários entrevistados que estariam dispostos
a pagar até R$ 1.500,00.
O instituto 2 coloca que nas vezes que foram procurados por micro e pequenos
empresários, cerca de 90% nem deram retorno quando souberam o custo
que a pesquisa iria gerar para a empresa, isso porque os recursos que
seriam investidos na pesquisa seriam aplicados em coisas mais essenciais
para empresa naquele momento.
O Sebrae explica que os micro e pequenos empresários não
realizam pesquisas divido ao custo adicional e geralmente eles não
possuem capital, mesmo que no futuro isso prejudique o desempenho da própria
empresa.
Foi levantada ainda pelo instituto 2 a existência de empresas no
mercado que fazem pesquisa pela metade do preço, mas o trabalho
que estas empresas realizam é questionável, quanto a sua
qualidade, validade e confiabilidade.
5.2.3.
Percepção dos institutos de pesquisa sobre o setor de micro
e pequenas empresas
Os
institutos são categóricos ao afirmar que a demanda por
pesquisa é muito baixa por parte de micro e pequenos empresários.
Para os institutos 1 e 3 o fator preponderante em relação
a este público é sua baixa rentabilidade. Por não
possuírem estrutura física e humana, torna-se inviável
para a empresa disponibilizar tempo e mão-de-obra na realização
de diversos trabalhos pequenos, isto prejudicaria o atendimento aos grandes
clientes.
Para facilitar o acesso deste público a ferramenta de pesquisa,
os institutos 1 e 3 sugerem a formação de associações
de classes, isto reduziria os custos da pesquisa, uma vez que seriam divididos
entre várias empresas, permitiria também o desenvolvimento
de um trabalho mais detalhado e conciso e os resultados seriam compartilhados
entre empresas do mesmo setor.
Entretanto os institutos sinalizam a dificuldade na formação
desses grupos, principalmente pelo fato deles não entenderem que
socializando as informações, todos estariam se beneficiando.
O instituto 3 citou um caso de sucesso.
A
gente trabalhou assim para Associação de Dirigentes de
Empresas de Mercado Imobiliário da Bahia – ADEMI, a gente
fez umas quatro ou cinco pesquisas é foi um trabalho maravilhoso,
que deu muitos subsídios para as empresas do setor, numa época
que todo mundo só estava querendo construir na Pituba e no Itaigara,
a gente mostrou para eles que tinha mercado em praticamente todos os
bairros da cidade, vários me disseram que depois disso descentralizaram,
passaram a comprar coisas diferentes (P&A, 2005).
Outros
casos sucesso poderiam ser concretizados, se os empresários deixassem
de pensar de forma individualista e começassem a pensar em relação
ao seu segmento de atuação, através de uma ação
coletiva de pesquisa, onde os resultados encontrados pudessem ser compartilhados,
beneficiando a todos, como no caso da ADEMI.
5.2.4.
Outros aspectos relevantes
5.2.4.1.
Divulgação
Por
ser um setor voltado para empresas, os institutos realizam um trabalho
de divulgação bastante específico. O instituto 1
e 2 ressaltam a importância da ANEP como meio de comunicação
dos institutos de pesquisas, isto porque, os institutos cadastrados na
associação devem estar regulamentados e seguir uma série
de normas e critérios específicos.
Na opinião dos três institutos a abordagem de maior retorno
é a publicação de trabalhos na mídia, principalmente
jornal, dando visibilidade e destaque para a empresa e projetando mais
seu nome no mercado, as pessoas têm uma percepção
de credibilidade em relação a trabalhos publicados. No entanto,
para o mercado de pequenas empresas à medida que vê esse
instituto sendo publicado acaba se distanciando, porque acham que vai
custar caro.
As agências de publicidade também são grandes aliadas
dos institutos de pesquisa e estimuladoras de seus serviços, no
sentido que elas percebem a necessidade do cliente em fazer pesquisa.
5.2.4.2.
SEBRAE
O
objetivo do trabalho do Sebrae é de orientação aos
micro e pequenos empresários, e uma das suas finalidades é
informá-los sobre a elaboração de um plano de negócios,
que é à base de sustentação e de diminuição
de risco do empreendimento.
O alto índice de mortalidade é facilmente entendido quando
o agente do Sebrae afirma que as empresas quebram por erros primários
e pela falta de capacitação de seus empresários.
Cerca
de 60% se quebram por erros primários, isso também pode
acontecer por falta de capacitação, e justamente a gente
tenta corrigir esses erros primários, diagnosticar as possíveis
sangrias que existem na empresa para podermos tapá-las e conseguir
uma vida longa para a empresa.
Geralmente eles misturam economia doméstica, economia da empresa,
não faz o devido re-investimento do lucro na empresa, ele pega
o lucro da empresa e detona tudo, não faz o re-investimento,
por exemplo, 30% reinvestir em qualificação dos trabalhadores,
máquinas novas, mais atuais, publicidades, não sei tem
“n” formas de re-investimento, eles misturam tudo. (Sebrae,
2005)
A
fim de minimizar esses erros e capacitar o empresário, é
disponibilizado gratuitamente, tanto nas agências como no site do
Sebrae, cartilhas elaboradas de forma genérica, mas que podem auxiliá-los.
5.2.4.3. Competências
Embora
o referencial teórico estudado não faça menção
sobre as competências de uma pesquisa, este é um fator ressaltado
pelo o instituto 2, ao mencionar que os objetivos da pesquisa podem ficar
comprometidos quando feito por uma empresa que não seja especializada
ou que não possua estrutura necessária para seu desenvolvimento.
Muitas
empresas acreditam que podem fazer pesquisa sem um consultor, sem um
instituto especializado, elas desenvolvem a pesquisa internamente sem
nenhum critério, não que isso seja um insucesso, não
que isso não traga bons resultados. Muitas vezes trazem, mas
é um fator de risco e que pode na falta de uma pessoa especializada,
que domine as técnicas, as amostragens, ou seja, toda parte técnica
de uma pesquisa, isso pode de alguma forma comprometer o desenho de
um resultado e irá consequentemente prejudicar uma definição
de metas e estratégias que alcance aquele objetivo da pesquisa
(Campus, 2005).
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
As
constatações presentes nessa conclusão se aplicam
aos limites da pesquisa apresentada neste trabalho, ou seja, nas micro
e pequenas empresas comerciais da cidade de Lauro de Freiras, não
podendo se traduzir em resultados parciais ou gerais para outras localidades.
A importância da utilização da ferramenta pesquisa
de mercado pode ser verificada nas tomadas de decisões no meio
empresarial. Para a micro e pequena empresa, esta constatação
se reveste de maior preocupação, dada a vulnerabilidade
do negócio, já que a distância entre o sucesso e o
fracasso depende muito mais de não se cometer erros em hipótese
alguma do que se apresentar alguns acertos (Fernandes, 2003, p.63).
O presente trabalho, em sua fase de coleta de dados primários,
permitiu alcançar os objetivos previamente propostos de identificar
as razões que dificultam o acesso do pequeno empreendedor à
ferramenta pesquisa de mercado.
Em relação ao perfil do empresário de Lauro de Freitas
ficou evidente o desconhecimento dos empresários em relação
ao mercado em que atua. A pesquisa apontou que as empresas são
constituídas sem informações baseadas em pesquisa
de mercado e, portanto, não conhecem e não sabem o que ocorre
no mercado. Esta afirmação é reforçada com
base nos resultados sobre nível de conhecimento, aponta que 40%
dos 40 empresários entrevistados não possuem nenhum tipo
de conhecimento sobre o assunto e 60% dos que conhecem nunca haviam realizado
uma pesquisa. Este resultado coincide com as informações
fornecidas pelos institutos de pesquisas, que afirmam terem sido procurados
algumas poucas vezes por empresas de Salvador que queriam se instalar
no município.
Esta aparente falta de interesse do pequeno empresário por pesquisas,
na opinião dos institutos está diretamente ligada aos custos
da pesquisa, ao afirmarem que realmente o custo da pesquisa não
é baixo e que depende das variáveis envolvidas para realizar
o projeto. Mais da metade dos entrevistados mostrou-se dispostos a investir
na faixa de R$ 500,00 à R$ 1.500,00, enquanto o valor citado pelo
instituto 3 revela que o valor de uma pesquisa pode variar de R$ 3.000,00
até R$ 40.000,00, ficando bastante distante da expectativa do pequeno
empresário.
O Sebrae
menciona que a maioria dos micro e pequenos empresários possuem
recursos limitados.
Já
em relação ao interesse dos institutos no segmento de micro
e pequenas empresas, a pesquisa revelou que 85% dos entrevistados nunca
haviam sido procurados por um instituto de pesquisa. Os institutos alegam
como fator preponderante para não investirem no segmento os baixos
retornos obtidos, em função do tempo e da disponibilidade
de mão-de-obra que estariam envolvidos, e que não valeria
a pena porque consequentemente estariam prejudicando o atendimento às
suas grandes contas.
Diante dessas constatações, a hipótese formulada
inicialmente foi comprovada, deixando claro que os altos custos da pesquisa
de mercado e o desconhecimento desse valioso instrumento de avaliação
mercadológica inviabilizam a sua utilização junto
aos empresários de Lauro de Freitas.
Como conclusão final do trabalho, pode ser apontado que devido
ao nível de investimento e de indisponibilidade financeira do micro
e pequeno empresário de Lauro de Freitas ainda está muito
distante das pesquisas de mercado. Os custos envolvidos em uma pesquisa
de mercado gerados em função da grande demanda por profissionais
especializados e das pessoas em campo, fazem com que esta ferramenta fique
aquém das possibilidades deste público. Esta conclusão
reforça o conceito inicial de que a maioria das micro e pequenas
empresas tomam decisões apenas pela intuição de seus
proprietários.
A solução apontada pelos institutos de pesquisa é
a associações de classes que reduziriam bastante os custos
da pesquisa. No entanto, mesmo tendo sido citado um caso de sucesso e
sinalizado que vários outros poderiam ser criados, infelizmente
não existe a cultura sociativista entre os empresários brasileiros.
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