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UNIME — União Metropolitana de Educação e Cultura

Carlos
Orge Pinheiro
Funções
Utilidade e Prospecção de valor e a
correlação com as medidas de desempenho ajustadas ao riscos
Lauro de Freitas
2005
Resumo
Para
ordenar os fundos de investimentos é necessária uma ferramenta
para assessorar os investidores em suas escolhas de investimento e, esta
ordenação, normalmente é baseada em medidas de desempenho
ajustadas ao risco. Plantinga e Groot (2001) explicam que as medidas de
desempenho ajustadas ao risco, quando utilizadas para ordenar as carteiras
de ativos, diferem em função das diferentes alternativas
para as medidas de retorno e risco como também dos ajustes realizados
em relação ao risco. Em particular, deve-se examinar o uso
de uma medida de desempenho ajustada ao risco como alternativa a uma função
preferencial, tal como uma função utilidade.
Segundo a teoria econômica clássica, as funções
de utilidade representam o tipo favorito de funções utilidades.
Estas modelam as atitudes de risco subjetivo do investidor individual.
Conseqüentemente, investidores individuais podem diferir em seu grau
de aversão a risco.
Este artigo verifica as preferências de risco implícitas
no uso das medidas de desempenho ajustadas ao risco, com base no trabalho
de Plantinga e Groot (2001). Para isto, foram utilizadas as mesmas medidas
de risco em seu estudo empírico: o índice de Sharpe, o alpha
de Sharpe, a medida do retorno esperado, o índice de Sortino, o
índice de Fouse além da relação de ganho potencial
– Upside, correlacionado a classificação obtida através
dessas medidas em relação à classificação
obtida através do uso da função utilidade e da função
prospecção da teoria do valor.
Foram coletadas
informações sobre os fundos de ações Ibovespa
para o período de março de 1999 a fevereiro de 2005, com
base em 59 fundos. Concluiu-se que o índice de Sortino e a relação
de ganho potencial podem ser associados com alto nível de risco.
Estas medidas demonstraram, respectivamente, uma correlação
elevada com a função quadrática e com a função
da prospecção da teoria de valor. Por outro lado, para baixo
grau de aversão ao risco a classificação pode ser
feito pelo uso do índice de Sharpe, alpha de Sharpe ou retorno
médio esperado.
1.
INTRODUÇÃO
As
medidas de desempenho ajustadas ao risco são utilizadas para classificar
as oportunidades de investimento. Desta forma, para ordenar os fundos
de investimentos é necessária uma ferramenta para assessorar
os investidores em suas escolhas de investimento e, esta ordenação,
normalmente é baseada em medidas de desempenho ajustadas ao risco.
A sugestão implícita nessas classificações
é que o primeiro fundo é o melhor que os demais. Os métodos
de classificação diferem em razão das diferentes
alternativas para as medidas de retorno e risco tanto quanto o modo de
ajuste para risco. A justificativa para uma classificação
está baseada na lógica por trás do critério
de classificação. Assim, uma classificação
baseada no retorno médio ordena as oportunidades de investimento
de acordo com o aumento da riqueza do investidor. Essa medida pode ser
motivada pela suposição de que os investidores querem maximizar
a riqueza no futuro, não importando quais são os riscos
avaliados pela volatilidade. Por outro lado, as medidas de desempenho
ajustadas ao risco supõem que os investidores são avessos
ao risco e necessitam de compensação por terem se exposto
a ele. Por isso, a escolha da medida de desempenho apropriada poderia
determinar, ao menos parcialmente, a função preferencial
do investidor.
A escolha de uma medida de desempenho pode também ser justificada
por outras considerações. Uma justificativa freqüentemente
utilizada para as medidas de desempenho refere-se a sua capacidade de
identificar as habilidades de investimento dos administradores de fundos
de investimentos. Algumas contribuições sobre esta discussão
são Dybvig e Ross (1985) e Kothari e Warner (2001). Suas pesquisas
focaram na capacidade de várias medidas de desempenho ajustadas
ao risco, como alpha de Jensen e o índice de Sharpe, para identificar
as habilidades de investimento. O modelo de Dybvig e Ross (1985) expressa
a medida de desempenho como uma função da habilidade de
previsão dos administradores dos fundos, o desvio-padrão
dos retornos e a aversão ao risco. Concluíram que as medidas
de desempenho ajustadas ao risco não conseguem detectar as habilidades
de previsão de maneira confiável. Assim, uma classificação
baseado nessas medidas não seria uma classificação
da capacidade de previsão.
Plantinga e Groot (2001) explicam que as medidas de desempenho ajustadas
ao risco, quando utilizadas para ordenar as carteiras de ativos, diferem
em função das diferentes alternativas para as medidas de
retorno e risco como também dos ajustes realizados em relação
ao risco. Em particular, deve-se examinar o uso de uma medida de desempenho
ajustada ao risco como alternativa a uma função preferencial,
tal como uma função utilidade.
De forma geral, as medidas de desempenho ajustadas ao risco buscam corrigir
o retorno médio pelo nível de risco incorrido. O procedimento
de ajustamento ao risco é uma maneira implícita de modelar
as atitudes ao risco. Assim, o investidor ao adotar uma medida está
aderindo às atitudes de risco implícitas nela. Quando se
usa medidas de desempenho ajustadas ao risco, o investidor, segundo Plantinga
e Groot (2001), sacrifica a oportunidade de implementar suas atitudes
de riscos individuais. Portanto, passa a ser de fundamental importância
a análise das atitudes de risco incluídas nas medidas de
desempenho ajustadas ao risco. Ao fazer isso, busca-se segmentar essas
medidas dentro de padrões que possam corresponder a um continuum
entre um baixo grau de aversão ao risco, num extremo, a um elevado
grau de aversão, no outro extremo.
Em relação ao investidor, as medidas de desempenho podem
ser consideradas como um substituto da sua função utilidade.
No entanto, a construção dessas funções pode
ser impraticável para um investidor individual em razão
da sua pouca habilidade matemática para executar tal tarefa. Assim,
a classificação baseada em uma medida de desempenho ajustada
ao risco, semelhante às publicadas em revistas especializadas de
investimento, pode poupar o investidor do esforço e perda de tempo.
Entretanto, antes que a medida de desempenho possa ser usada desse modo,
o investidor deve estar ciente das possibilidades em relação
ao risco em termos gerais (dentro de um continuum, alta ou baixa aversão
ao risco). Além disso, deve estar ciente das atitudes em relação
ao risco implícitas no uso de cada medida.
Com base no trabalho desenvolvido por Plantinga e Groot (2001), o objetivo
deste artigo é o de verificar as preferências de risco implícitas
no uso das medidas de desempenho ajustadas ao risco. Para isto, serão
utilizadas as mesmas medidas de risco em seu estudo empírico, que
são: o índice de Sharpe, o alpha de Sharpe, a medida do
retorno esperado, o índice de Sortino, o índice de Fouse
além da relação de ganho potencial – Upside,
correlacionado, para isso, a classificação obtida com essas
medidas em relação à classificação
obtida através do uso da função utilidade e da função
prospecção da teoria do valor.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A
idéia de classificação das carteiras de ativos surge
com a incorporação do risco, que se iniciou com o modelo
de média-variância de Markowitz (1952). Se o retorno esperado
de uma carteira é tanto maior quanto o seu risco, então
o uso de alguma medida de risco na avaliação permite verificar
quanto do retorno proporcionado pelo gestor vem do seu profissionalismo,
quanto vem da casualidade e quanto vem do risco assumido para obtê-lo.
A utilização dos critérios de média-variância
se desenvolveu simultaneamente com o modelo tradicional Capital Asset
Pricing Management – CAPM, em 1964. Treynor (1966), Sharpe (1966)
e Jensen (1968) foram pioneiros em reconhecer a importância do modelo
para avaliar a desempenho dos investimentos, através da relação
retorno e risco.
O conceito do modelo tradicional está associado ao equilíbrio
de forma que os investidores demonstram comportamento do tipo média-variância.
Para Sharpe (1964), no modelo CAPM, os investidores escolhem seu portfólio
ideal maximizando uma função utilidade que depende apenas
do critério média-variância do retorno do portfólio.
Levy e Markowitz (1979) defenderam a média-variância como
um critério aproximadamente correto com a idéia de que apresente
um nível de aplicação altamente relacionado ao retorno
esperado do investidor. Markowitz (1991, p 476) afirma que talvez alguma
outra medida de risco para o portfólio servirá para a análise
de parâmetro das funções de utilidade. O autor explica
que, em 1959, sua proposta, definida pelo uso da semivariância,
identificada por S, como uma medida de risco, parece ser mais plausível
que a variância, desde que se preocupe com os resultados adversos.
Assim, estabeleceu a semivariância por:

onde
c é uma constante, independente da escolha do portfólio
e R é o retorno do ativo. No entanto, Markowitz (1991), esclarece
que até aquela data, não sabia da existência de uma
classe significativa de função utilidade em que a média-semivariância
tenha obtido sucesso enquanto que a média-variância tenha
falhado em fornecer uma aproximação adequada para a função
utilidade. Desta forma, os critérios utilizados para avaliar o
desempenho dos fundos de investimentos podem ter base no desvio padrão,
através da variância, bem como no semi-desvio padrão,
através da semivariância.
2.1. MEDIDAS DE DESEMPENHO AJUSTADAS AO RISCO BASEADAS NA VARIÂNCIA
O
índice de Sharpe e o alpha de Sharpe são exemplos de medidas
de desempenho que se apóiam no critério de média-variância,
desenvolvido por Markowitz (1952) com base nos fundamentos da microeconomia.
Sharpe (1964) procurou inicialmente verificar o retorno adequado das carteiras
desenvolvendo o modelo tradicional de precificação, CAPM.
Dois anos mais tarde, desenvolveu o índice de Sharpe, definido
pela razão entre o prêmio pelo risco da carteira e o seu
desvio-padrão, representado pela equação:

onde
IS é o índice de Sharpe, representa o retorno médio
da carteira, representa o retorno do ativo livre de risco e representa
a volatilidade da carteira, ou o desvio padrão.
Similar à teoria da média-variância, o índice
de Sharpe é motivado por um par de condições: os
retornos são distribuídos normalmente e o investidor tem
uma função preferencial em termos de média-variância.
Baseado nessas premissas, a medida de performance alternativa pode ser
derivada. Considera-se em seguida a seguinte medida de desempenho, que
é definida por alpha de Sharpe:

onde
A é um parâmetro que representa o nível de aversão
ao risco. Esta medida é freqüentemente usada como uma representação
alternativa da função de utilidade quadrática.
2.2.
MEDIDAS DE DESEMPENHO AJUSTADAS AO RISCO BASEADAS NA SEMIVARIÂNCIA
Uma
característica comum das medidas de desempenho alternativas é
o uso do semi-desvio padrão em relação a um ponto
de referência. Este ponto de referência, definido por minimal
acceptable return – MAR ou retorno mínimo aceitável,
é utilizado para distinguir risco de volatilidade. Conforme Sortino
e Van der Meer (1991) as realizações sobre o ponto de referência
implicam que os objetivos foram alcançados e, por isso, são
considerados como “boa volatilidade”. Realizações
abaixo do ponto de referência implicam falhas no acompanhamento
dos objetivos e são consideradas como “má volatilidade”
ou risco. Com base nessas premissas, a pesquisa faz uso do índice
de Sortino, do índice de Fouse e da relação de ganho
potencial.
Designada por Sortino e Price (1994) a medida de avaliação,
índice de Sortino, é identificada pela seguinte equação:

onde
representa o índice de Sortino, representa o retorno médio
da carteira, representa o retorno mínimo aceitável e representa
a medida de risco de não atingir o retorno mínimo aceitável
– downside risk. Esta medida, conforme explicam Plantinga, Van der
Meer e Sortino (2001) é representada por:

onde
é um parâmetro definido por 1 ou 0, conforme ou , representa
a probabilidade dos retornos, representa o retorno do ativo e o retorno
mínimo aceitável.
A outra medida, o índice de Fouse é equivalente ao alpha
de Sharpe em uma média – downside risk. Sortino e Price (1994)
explicam a medida através da equação:

onde
B é um parâmetro representando o grau de risco, aversão
do investidor. O índice Sortino e o índice Fouse se baseiam
no uso do retorno esperado e da semivariância. O retorno esperado
é usado como uma medida da remuneração potencial
de uma oportunidade de investimento.
Outra alternativa, é a relação de ganho potencial,
representada por uma parte significativa dos retornos sobre o índice
de referência. A relação de ganho potencial foi desenvolvida
por Sortino, Van der Meer e Plantinga (1999) sendo definido como:

onde
T é o número de períodos na amostra, é o retorno
de um investimento em um período, t, quando , quando , quando e
se .
Uma vantagem importante da relação ganho potencial em relação
ao índice de Sortino é a consistência no uso do índice
de referência para avaliação tanto de lucro quanto
de perdas. Finalmente, a diferença entre o semi-desvio padrão
e o desvio padrão ocorre pelo uso de um índice de referência
exógeno versus o retorno médio. O objetivo do investidor
motiva a escolha do índice de referência. Como resultado,
uma parte da função utilidade do investidor é introduzida
no cálculo do risco. Por isso, o cálculo do resultado é
válido apenas para indivíduos que compartilhem a mesma taxa
de referência.
3.
AS FUNÇÕES DE UTILIDADE DO INVESTIDOR
Segundo
a teoria econômica clássica, as funções de
utilidade representam o tipo favorito de funções utilidades.
Estas modelam as atitudes de risco subjetivo do investidor individual.
Conseqüentemente, investidores individuais podem diferir em seu grau
de aversão a risco. Assim, um investidor pode ser extremamente
avesso ao risco, enquanto que outro pode apresentar menor aversão
ao risco. As funções de utilidade constituem-se numa classe
especial de funções preferenciais. Segundo Baron (1977),
as funções devem satisfazer um grupo de axiomas garantindo
que o indivíduo possa exibir um comportamento racional e consistente.
Mesmo dentro da classe de funções de utilidade, uma grande
variedade de formas funcionais possíveis estão disponíveis,
cada uma com características diferentes. Baron (1977, p. 1683)
explica que Markowitz (1959) demonstrou que se o ordenamento de alternativas
é para satisfazer os axiomas do comportamento racional de Von Neumann-Morgenstern
(1947), só uma função de utilidade quadrática
(NM) é consistente com uma função ordinal, definida
por , de forma que é a média e a variância do retorno.
Conseqüentemente, mesmo se os retornos para cada alternativa tenham
uma distribuição normal, a estrutura do tipo média-variância
não pode ser usada para classificar alternativas de forma consistente
com os axiomas de Von Neumann-Morgenstern, a não ser que uma função
de utilidade quadrática (NM) seja definida.
Assim a função
de utilidade NM que corresponde à função ordinal
é a função quadrática representa por:

onde
x representa o nível de riqueza e k é o parâmetro
que guia a aversão ao risco do investidor. Uma propriedade relevante
de uma função utilidade é o comportamento de aversão
ao risco relativo como uma função de riqueza. Portanto,
as preferências que podem ser representadas apenas em termos de
média e variância são consistentes com os axiomas
de Von Neumann-Morgenstern se e somente se a função de utilidade
(NM) for quadrática e a utilidade marginal for não negativa.
A função utilidade quadrática é uma das classes
de funções diferenciáveis que podem ser representadas
na forma de um modelo de risco de valor separável. Assim, o valor
esperado de uma função utilidade quadrática, conforme
Plantinga e Groot (2001), pode ser reescrita em termos de retorno e desvio
padrão como segue:

Percebe-se
que a função quadrática tem ocupado um lugar especial
na análise da média-variância uma vez que a suposição
da função utilidade ser quadrática conduz à
conclusão que a análise através da média e
da variância explica do comportamento do consumidor. Elton, Gruber,
Brown e Goetzmann (2004) demonstram analiticamente que uma função
de utilidade quadrática pode ser reescrita pela seguinte equação:

onde
w representa o nível de riqueza, o desvio-padrão e k caracteriza
o parâmetro que guia a aversão ao risco do investidor.
Tversky e Kahneman (1992), em um estudo empírico, concluíram
que os investidores mostram comportamento de assumirem risco em escolhas
que envolvem perdas e comportamento de aversão ao risco em escolhas
que envolvem ganhos. Plantinga e Groot (2001), explicam que os autores
desenvolveram a chamada função de prospecção
da teoria do valor, facilitando tanto o comportamento da procura do risco
como a aversão ao mesmo. A função de prospecção
da teoria do valor, representada por uma função preferencial
descritiva, acaba não satisfazendo os axiomas do comportamento
racional e, por isso, não é definida como uma função
utilidade.
Plantinga e Groot (2001) explicam que no domínio de resultados
abaixo do nível de riqueza o investidor exibe uma preferência
pelo risco. Por outro lado, no domínio de resultados acima do nível
de riqueza o investidor exibe aversão ao risco. Desta forma, a
função de prospecção da teoria do valor é
dada pela seguinte equação:

onde
k é uma constante refletindo o conceito de aversão ao risco,
x a riqueza do investidor e os parâmetros e são relacionados
a atitudes de risco e determinam o modelo da função, t representa
o retorno aceitável. Baseados no estudo empírico, Tversky
e Kahneman (1992) encontraram a seguinte estimativa de parâmetro:
e . Como uma alternativa para os coeficientes sugeridos por Plantinga
e Groot (2001), em suas pesquisas examinam uma versão linear da
função de prospecção da teoria do valor, adotando
como parâmetros para a função de prospecção
da teoria de valor. Para esta pesquisa foram adotadas essas últimas
estimativas e o valor 0,50% ao mês como retorno aceitável
para t.
4.
AVALIANDO AS MEDIDAS DE DESEMPENHO AJUSTADAS AO RISCO
Esta
parte do artigo corresponde à principal questão levantada
pela pesquisa sobre a avaliação da preferência do
risco implícito nas medidas de desempenho ajustadas ao risco. Além
disso, busca-se investigar a qualidade da medida ajustada ao risco como
uma alternativa das funções preferenciais. Para se adaptar
com uma alternativa para uma função preferencial, uma medida
de desempenho ajustada ao risco deve representar adequadamente a relação
entre risco e retorno. Assim, em função do conceito de aversão
ao risco, é razoável esperar que os fundos com alto grau
de risco, ainda que mensurados, possam ser penalizados.
Uma primeira análise da relação entre risco e retorno
é examinar os coeficientes de correlação de classificação
entre as medidas de performance ajustadas ao risco e a medida de retorno
de risco. Para isto, foram coletadas informações sobre os
fundos de ações Ibovespa, no site Fortuna. Com base no mês
de fevereiro de 2005, foram escolhidos apenas aqueles fundos cuja série
histórica de retorno seja igual ou superior a 72 meses. Desta forma,
a amostra para pesquisa é de 59 fundos, durante o período
de março de 1999 a fevereiro de 2005.
Na tabela 1 apresenta-se a correlação entre as diferentes
medidas de desempenho: retorno esperado, desvio padrão, e downside
risk. Para cada um dos 59 fundos na amostra, foram calculados os valores
para o índice de Sharpe, o índice de Sortino, o alpha de
Sharpe, o índice Fouse e a relação de ganho potencial,
baseado nas observações dos retornos mensais. A taxa de
0,50% ao mês foi usada como ativo livre de risco para definição
do índice de Sharpe. Adotou-se esse valor, seguindo uma recomendação
conservadora, usada também no trabalho de Plantinga e Groot (2001).
Para o índice de Sortino, de Fouse e a relação de
ganho potencial adotou-se o retorno mínimo aceitável igual
a 0%. O parâmetro de aversão ao risco usado no alpha de Sharpe
e no índice Fouse foi considerado igual a 1.
Tabela
1 – Correlação para Medidas de Desempenho Ajustadas
ao Risco

Fonte:
Elaboração do autor
A
tabela 1 demonstra que todas as medidas de desempenho ajustadas ao risco
são positivamente correlacionadas umas com as outras. A correlação
varia de um mínimo de 82,46% (relação de retorno
esperado e Upside) a um máximo de 99,56% (alpha de Sharpe e índice
de Sharpe). Não existe nenhuma causa óbvia relativa às
diferenças entre medidas baseadas no desvio padrão e no
downside risk. De certa forma, pode-se esperar que as medidas baseadas
no mesmo risco devam ser altamente relacionadas enquanto que as medidas
baseadas em diferentes riscos apresentem uma correlação
baixa. Entretanto, a tabela 1 parece indicar que esta hipótese
não está ocorrendo por completo. Por exemplo, o índice
de Sharpe, que é baseado no desvio padrão, correlaciona-se
com o a relação de ganho potencial (o qual recai sobre o
downside risk) como também com o alpha de Sharpe (que se sustenta
sobre o mesmo desvio padrão).
O índice de Sharpe mostra uma correlação negativa
com ambas as medidas de risco, quando se esperava um comportamento contrário.
O índice Sortino, o alpha de Sharpe e a relação de
ganho potencial também demonstram correlação negativa
com as medidas de risco. Justifica-se isto uma vez que o coeficiente de
correlação depende da escolha do parâmetro de aversão
a risco. Quanto maior o parâmetro para aversão ao risco,
maior a importância da medida de risco para determinar a correlação
de classificação.
A próxima etapa é a de perceber o grau de correspondência
entre uma função utilidade e as medidas de desempenho ajustadas
ao risco: índice de Sortino, o alpha de Sharpe, a relação
de ganho potencial, o índice de Fouse além do retorno esperado,
através do coeficiente de correlação entre suas classificações.
Assim, a Figura 1 mostra o coeficiente de correlação como
uma função do parâmetro da função utilidade
quadrática especificada pela equação (10). A observação
mais importante é que nenhuma medida de desempenho domina globalmente
em termos de correlação com a função utilidade
quadrática. Para baixos valores de k, entre 1 e 2, temos baixos
níveis de aversão ao risco, de forma que o alpha de Sharpe,
o índice de Sharpe e o retorno esperado se correlacionam bem com
a função utilidade.
Figura
1 – Correlação da Classificação das
Medidas de Desempenho Ajustadas ao Risco em Relação a Função
de Utilidade Quadrática
Fonte:
Elaboração do autor
k é igual ao parâmetro de aversão ao risco
Para
maiores valores de k, a partir de 4, correspondendo aos níveis
elevados de aversão ao risco, a correlação dessas
medidas de desempenho (baseadas no desvio padrão) com a função
utilidade diminui. No intervalo entre 3 e 4, a relação de
ganho potencial e o índice de Sortino, nesta ordem mostram resultados
razoáveis, semelhante ao trabalho realizado por Plantinga e Groot
(2001).
O resultado para o índice de Sortino e a relação
de ganho potencial implica que para baixos níveis de aversão
a riscos estas medidas não representam as preferências dos
investidores. Os melhores resultados são gerados para aqueles investidores
com níveis elevados de aversão a risco, por exemplo, a partir
de k=3.
A figura 2 mostra a correlação de classificação
entre as medidas de desempenho ajustadas ao risco e a função
prospecção da teoria de valor (equação 11)
conforme variações no parâmetro do grau de aversão
a perdas. Semelhante aos resultados obtidos com a função
utilidade quadrática, o índice de Sharpe, o alpha de Sharpe
e o retorno esperado representam as preferências dos investidores
com um baixo grau de aversão a perdas. A correlação
cai para essas medidas quando aumenta o coeficiente de aversão
ao risco (k). No entanto, aumenta a correlação, para níveis
maiores de aversão, para o ganho potencial, alpha de Sharpe e para
o índice de Sortino.
Figura
2 – Correlação da Classificação das
Medidas de Desempenho Ajustadas ao Risco em Relação à
Função de Prospecção da Teoria de Valor
Fonte:
Elaboração do autor
k é igual ao parâmetro de aversão ao risco
CONCLUSÕES
FINAIS
Neste
artigo investigaram-se as preferências de risco implícitos
no uso das medidas de desempenho ajustadas ao risco. Foi levando em consideração
as medidas usadas na classificação dos fundos da perspectiva
do investidor e sua relação com o risco. Em particular,
o investidor tem que selecionar um fundo num grande universo. Assim, foram
analisadas as diferenças entre os efeitos das classificações
baseadas em medidas de desempenho ajustadas ao risco e as funções
do investidor: quadrática e prospecção da teoria
de valor. Ambas se aproximam para selecionar oportunidades de investimentos
e necessitam de dados similares. Para cada oportunidade de investimento
as aproximações requerem uma distribuição
de retorno.
Concluí-se
que cada medida de desempenho ajustada ao risco pode ser associada com
um nível diferente de aversão a risco. Neste sentido, o
objetivo foi o de segmentar as medidas de desempenho ao risco dentro de
padrões de um continuum entre baixo grau de aversão, num
extremo a um elevado grau de aversão ao risco, no outro extremo,
representados pela variável k. Percebe-se que nenhuma medida de
desempenho domina globalmente em termos de correlação com
a função utilidade quadrática, como também
não há domínio em relação a função
prospecção da teoria de valor.
O índice
de Sortino e a relação de ganho potencial podem ser associados
com alto nível de risco. Estas medidas demonstraram, respectivamente,
uma correlação elevada com a função quadrática
e com a função da prospecção da teoria de
valor. Neste sentido, os investidores que mostram um grau suficientemente
alto de aversão ao risco deveriam usar as classificações
com base em cada um do desses índices. Por outro lado, para baixo
grau de aversão ao risco a classificação pode ser
feito pelo uso do índice de Sharpe, alpha de Sharpe ou retorno
médio esperado.
6.
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