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UNIME — União Metropolitana de Educação e Cultura

Thaís
Pereira de Souza
Veiculação da imagem do negro na
propaganda: Uma visão do consumidor universitário
Lauro de Freitas
2005
RESUMO
Durante
muito tempo antropólogos, sociólogos, historiadores, professores
vêm elaborando trabalhos científicos sobre os negros, entretanto
traçam principalmente uma abordagem histórica, no quesito
da mídia e mais especificamente na propaganda, praticamente não
é encontrado referencial bibliográfico sobre o negro. Sendo
assim, neste artigo buscou-se analisar a percepção dos consumidores
universitários frente à veiculação da imagem
do negro na propaganda com o objetivo de contribuir para ampliação
do conhecimento acerca do uso da imagem do negro na propaganda. Foi realizada
uma pesquisa qualitativa utilizando o método de grupo focal e chegou-se
a conclusão da necessidade de veicular mais propagandas com negros,
pois além de serem um público-alvo potencial e existir a
identificação destes consumidores com pessoas da sua mesma
cor, isto fará com que muitas barreiras da sociedade sejam quebradas.
PALAVRAS
CHAVES: NEGRO, PROPAGANDA, SEGMENTAÇÃO DE MERCADO,
COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR, ESTILO DE VIDA, COMPRAS, PROCESSO DE COMPRAS,
PERCEPÇÃO, CONSUMIDORES, GRUPO FOCAL.
ABSTRACT
During
much time anthropologists, sociologists, historians, professors they come
elaborating scientific works on the blacks, however trace mainly a historical
boarding, in the question of the media and more specifically in the propaganda,
it is practically not found referencial bibliographical on the black.
Being thus, in this article front to the propagation of the image of the
black in the propaganda with the objective searched to analyze the perception
of the university consumers to contribute for magnifying of the knowledge
concerning the use of the image of the black in the propaganda. A qualitative
research was carried through using the method of focal group and was arrived
it conclusion of the necessity to propagate more propagandas with blacks,
therefore besides being a potential public-target and to exist the identification
of these consumers with people of its same color, this will make with
that many barriers of the society with regard are broken.
KEY WORDS: BLACK, PROPAGANDA, SEGMENTATION OF MARKET,
BEHAVIOR OF THE CONSUMER, STYLE OF LIFE, PURCHASES, PROCESS OF PURCHASES,
PERCEPTION, CONSUMERS, FOCAL GROUP.
1.
INTRODUÇÃO
O
grande desafio das organizações é acompanhar as tendências
do mercado, ou até mesmo antecipá-las, isto porque o mercado
tem mudado de forma acelerada. Para conseguir alcançar uma posição
de liderança de mercado, as empresas deverão ser capazes
de inovar sempre, entretanto, é necessário estabelecer uma
sinergia entre o mercado, a organização interna e os stakeholders.
Incluir a visão dos consumidores no processo produtivo tem alavancado
um melhor posicionamento para as empresas, entretanto esta não
é uma posição que pode ser alcançada em curto
prazo, é sim fruto da credibilidade alcançada no mercado
em função do posicionamento que à organização
adota.
As empresas brasileiras começam a perceber, ainda de forma incipiente
que precisam acompanhar essa tendência de mercado. Algumas organizações
já percebem os seus consumidores potenciais e estão elaborando
produtos específicos para eles. Este movimento tem sido apresentado
também para segmentação por etnia. No entanto, este
comportamento aparece mais latente no segmento da indústria de
cosméticos, que atentaram para o público negro e estão
desenvolvendo produtos específicos para estes consumidores.
Vale ressaltar ainda, que mesmo a passos lentos este público está
ascendendo socialmente e são consumidores potenciais para os mais
diversos tipos de produtos. Contudo, o que se pode constatar é
que as empresas ainda estão adormecidas para estes consumidores,
quase não se percebe propagandas veiculadas para este público,
ou seja, a grande maioria das propagandas veiculadas no Brasil são
com modelos brancos, e porque será que isto ainda acontece num
país onde a população é praticamente negra?
Será que as empresas têm medo que o público em geral
não se identifique com os negros nas propagandas ou é devido
ao próprio preconceito da sociedade? Isto é o que o presente
trabalho busca identificar, ou seja, a elaboração deste
trabalho advém da necessidade de identificar qual a percepção
dos consumidores universitários em relação à
imagem do negro nas propagandas, tendo em vista que este é um fenômeno
recente na mídia brasileira.
Além disso, este é um tema pouco explorado no âmbito
acadêmico, ou seja, apesar de haver inúmeros trabalhos sobre
negros, traçando principalmente uma abordagem histórica,
no quesito da mídia e mais especificamente na propaganda, praticamente
não é encontrado referencial bibliográfico sobre
o assunto.
Desta forma, um estudo mais aprofundado, torna-se relevante, tendo em
vista que o negro vem conquistando cada vez mais seu espaço na
sociedade, representando uma parcela da população economicamente
ativa. Sendo assim, este é um mercado que deve ser contemplado
e estudado pelas organizações.
A presente pesquisa tem por objetivo contribuir para ampliação
do conhecimento acerca do uso da imagem do negro na propaganda, através
da avaliação da percepção dos consumidores
universitários.
Tem ainda como objetivos específicos: Verificar o comportamento
de compra dos consumidores, bem como os aspectos que mais influenciam
no processo de decisão de compra e a relação entre
o estilo de vida, o comportamento de compra e a sensibilidade quanto à
veiculação da imagem do negro na propaganda.
O presente trabalho foi dividido em quatro capítulos sendo organizado
da seguinte forma: no primeiro capítulo são apresentados
os procedimentos da pesquisa; no segundo capítulo são apresentadas
algumas definições teóricas tais como comportamento
do consumidor, segmentação de mercado e propaganda; no terceiro
capítulo é feito um breve histórico sobre o negro
no Brasil e o negro na propaganda brasileira; no quarto estão os
principais resultados obtidos na pesquisa e por fim é apresentada
a conclusão do estudo.
Vale ainda uma observação importante para melhor esclarecimento
do leitor, apesar do conceito “raça” não ser
o mais apropriado devido aos inúmeros debates na área da
genética, no presente trabalho será utilizado em caráter
sócio-político deixando de lado quaisquer características
biológicas que o termo pode associar. Para melhor ilustrar segue
abaixo um trecho do livro Mídia e Etnicidades no Brasil e nos Estados
Unidos de Fernando Conceição (2005).
A
operacionalidade do conceito raça é falha. Renovados estudos
corroboram tal posicionamento, como o trabalho de equipe do geneticista
Sérgio Danilo Pena, que buscou demonstrar que mesmo afrobrasileiros
necessariamente não descendem de africanos, enquanto uma pessoa
branca pode possuir genes dos povos negros trazidos para o Brasil como
escravos. O conceito raça, entretanto, pode ser tomado em dimensão
sócio-política. Porque, como demonstra Azevedo, se geneticamente
é impossível adotar e classificar os seres humanos segundo
a taxonomia clássica da racialidade – ou seja, entre negros,
brancos, amarelos, índios -, o senso comum permanece adotando
essa classificação.
Conceição
(2005) ainda complementa no seu livro os argumentos de Pierre-André
Taguieff em Lê Fins de l’Antiracisme (Paris, Editions Michalon)
para mostrar a importância da manutenção do termo
raça.
Prossegue
d’Adesky: “Em relação à indeterminalidade
do conceito raça, do ponto de vista da biologia e de seu uso
corrente pela população, Taguieff lembra que o homem comum
tem formas de percepção que nada têm a ver com complexos
modelos teóricos dos geneticistas contemporâneos. Ele não
percebe seus vizinhos com os olhos do espírito científico,
pois ele entende o discurso cientificamente autorizado dos geneticistas
anti-racistas como algo distante, abstrato, angelical sustentado pelas
elites do saber e desprovido do conhecimento corriqueiro das raças
socialmente percebidas. O homem comum, continua Taguieff [...] continuará
a tipificar e a classificar os indivíduos segundo suas características
perceptíveis e, mais particularmente visíveis. A desconstrução
científica da raça biológica não faz desaparecer
a evidencia da raça simbólica, da raça percebida
e, invariavelmente, interpretada. Acima de tudo, o imaginário
racista alimenta-se das semelhanças e das diferenças fenotípicas
da cor da pele até diversas características morfológicas”.
2.
METODOLOGIA
2.1. TIPOS DE PESQUISA
A
pesquisa exploratória segundo Lakatos (2001) permite ao pesquisador
obter freqüentemente descrições tanto quantitativas
quanto qualitativas do objeto de estudo, possibilitando conceituar as
inter-relações entre propriedades do fenômeno, fato
ou ambiente observado. O presente trabalho opta pela utilização
da pesquisa exploratória na fase de familiarização
com o tema a ser estudado.
Além da pesquisa exploratória, foi também utilizado
o método da pesquisa descritiva, que como defende Vergara (2004),
visa descrever percepções, expectativas e sugestões.
No referido trabalho busca-se descrever a percepção dos
consumidores universitários com relação à
veiculação da imagem do negro na propaganda.
Para a construção do trabalho optou-se, como método
de investigação, pela pesquisa bibliográfica, que
através do estudo de materiais publicados em livros, revistas,
meios eletrônicos, enfim, materiais disponíveis e relevantes,
permitiu a construção do referencial teórico.
Ainda quanto aos meios de investigação utilizou-se a pesquisa
de campo que segundo Vergara (2004) é a investigação
empírica realizada no local onde ocorre ou ocorreu um fenômeno
ou que dispõe de elementos para explicá-lo. O método
utilizado foi o Grupo de Foco que é uma entrevista realizada por
um moderador treinado, de uma forma não-estruturada e natural,
com um pequeno grupo de respondentes Malhotra (2001)
2.2 AMOSTRA
A
amostra do presente trabalho foi não-probabilística, que
segundo Malhotra (2001) é a técnica de amostragem que não
utiliza seleção aleatória. Ao contrário, confia
no julgamento pessoal do pesquisador. A técnica de amostragem não-probabilística
utilizada foi amostragem por julgamento. Para Malhotra (2001), amostragem
por julgamento é uma forma de amostragem por conveniência
em que os elementos da população são selecionados
com base no julgamento do pesquisador.
Segundo Bonnie Goebert (2003), a pesquisa qualitativa e os grupos focais
são o cenário no qual a história se desenrola, as
hipóteses se desenvolvem e de onde uma explicação
emerge. Ainda ressalta, que os grupos focais têm sido praticamente
a única arma no arsenal de ferramentas de pesquisa que os profissionais
utilizam. Os dados levantados nesta fase podem servir de subsídio
para pesquisas quantitativas futuras. Atualmente há uma tendência
voltada a métodos de pesquisa e interpretação qualitativa
de natureza mais aberta.
No presente trabalho busca-se a estruturação dos grupos
focais mesclando brancos e negros, só brancos e só negros
a fim de verificar o comportamento dos grupos isoladamente versus o comportamento
do grupo misto, buscando assim obter informações mais enriquecedoras.
Os grupos focais realizados para o referido trabalho tiveram o seguinte
perfil:
- Primeiro
grupo - 8 consumidores brancos universitários de 18 a 35 anos;
- Segundo
grupo - 8 consumidores brancos e negros universitários 19 –
30 anos;
- Terceiro
grupo - 6 consumidores negros universitários 20 a 35 anos;
3. REFERENCIAL TEÓRICO
Neste
capítulo serão levantadas as principais teorias que serão
abordadas ao longo do trabalho. Vale ressaltar que o presente trabalho
busca analisar como uma das ferramentas do mix de marketing, que é
a propaganda, influencia o comportamento do consumidor.
3.1 COMPOSTO DE MARKETING
Para
entender o que significa o mix de marketing, primeiro tem que se entender
o que significa Marketing. Segundo Kotler (2000), Marketing é um
processo social por meio do qual pessoas e grupos de pessoas obtêm
aquilo de que necessitam e o que desejam com a criação,
oferta e livre negociação de produtos e serviços
de valor com os outros. Já para Semenik; Bamossy (1995), Marketing
é o processo de planejamento e execução do conceito,
preço, comunicação e distribuição de
idéias, bens e serviços de modo a criar trocas que satisfaçam
objetivos individuais e organizacionais. Enfim, Marketing atualmente é
o grande ativo das organizações, pois é responsável
pela busca da satisfação dos clientes (internos, que são
os colaboradores e externos, que são os stekeholders) e para isso
tem que estar atento aos acontecimentos internos e externos da organização
para manter a sinergia entre a organização e o mercado.
O mix de marketing é composto por quatro P’s que são:
preço, praça, produto e promoção, é
através da utilização desse composto que as organizações
buscam alcançar as suas metas e objetivos para conquistar seu mercado-alvo.
Contudo, para o referido trabalho só será abordado o conceito
de uma das ferramentas utilizadas no “P” promoção,
que é a propaganda.
Sobre marketing mix, Semenik; Bamossy (1995), defende que é ele
que descreve as atividades associadas ao micromarketing, isto é,
ao papel desempenhado pelo marketing dentro da organização
individual. Literalmente, toda decisão e ação associadas
com marketing dentro da organização vão estar relacionadas
a produto, preço, comunicação ou distribuição.
3.1.1
PROPAGANDA
Antes
de começar a falar desta ferramenta indispensável ao mundo
do Marketing tendo em vista que faz parte do panorama geral da comunicação
e está em constante envolvimento com fenômenos paralelos,
onde colhe subsídios, para repassar ao consumidor faz-se necessário
defini-la.
Sant’anna (2002) define propaganda como a propagação
de princípios e teorias. Ele ainda afirma que não se pode
pensar em propaganda como um fenômeno isolado. Este também
é o conceito de Semenik; Bamossy (1995), para eles, a propaganda
é um processo complexo que requer cuidadosos planejamento e execução
de modo a atingir objetivos de comunicação a ela atribuídos
pelas empresas.
Segundo Sant’anna (2002), o plano de propaganda deve ser elaborado
de forma que o cliente receba recomendações precisas quanto
ao mercado a ser atingido pela propaganda, quais as modificações
aconselháveis no sistema de distribuição do produto
e política de vendas da empresa. Sant’anna (2002) ainda defende
que um plano de comunicação pode ser elaborado com diversos
itens dentre eles a análise da situação que é
como tem se desenvolvido o mercado, influências dos problemas econômicos,
a ação dos concorrentes, tendência do mercado, preferências
dos consumidores, dentre outros.
Porém um dos itens mais importantes do plano de comunicação
é o público consumidor, ou seja, a definição
do perfil, localização, potencial, quantificação,
desejos, afinidades, enfim é fundamental conhecer o público,
saber qual a melhor estratégia de transmitir a mensagem de forma
a gerar emoção ao consumidor e conseqüentemente a influência
para o consumo.
Diante disso, as propagandas não podem ser consideradas meramente
como grandes despesas para as organizações, mas sim como
uma ferramenta indispensável para influenciar as atitudes do consumidor
com relação à marca/produto. Desta forma, um plano
de comunicação deve ser bem definido, para que passe a construir
identidades de marcas singulares.
3.1.2
SEGMENTAÇÃO DE MERCADO
Durante
muito tempo não havia preocupação das empresas em
entender seus consumidores, isso se dava devido a pouca concorrência
no mercado e a pouca exigência do consumidor, pois, a demanda era
maior que a oferta, sendo assim, o que era lançado no mercado era
novidade e conseqüentemente era aceito pelo público.
Contudo, a concorrência começou a ficar acirrada, com a globalização,
as fronteiras foram se abrindo, a facilidade de matéria-prima foi
acentuada, sendo assim, muitas empresas começaram a fabricar o
mesmo produto, criando mais opções para os consumidores.
Com isso, os consumidores passaram a ser mais exigentes e a optar pelos
produtos/serviços que proporcionem o maior custo/ beneficio. Em
função dessa modificação no mercado as empresas
começaram a dar uma maior atenção ao consumidor e
com isso a preocupação de entendê-lo melhor para poder
satisfazê-lo. Porém, para entender um mercado tão
vasto seria algo praticamente impossível, desta forma, as organizações
começaram a segmentar seu público, ou seja, separá-lo
pelas semelhanças, para então passar a oferecer produtos/serviços
mais atrativos ao seu público.
Sobre esse assunto, Solomon (2002) afirma que a segmentação
de mercado identifica grupos de consumidores que se assemelham de uma
ou mais maneiras e cria, então, estratégias de marketing
que exercem seu apelo a um ou mais grupos.
Para ele, estratégias de marketing finamente sintonizadas permitem
aos profissionais de marketing atingir somente os consumidores com maior
probabilidade de interesse em adquirir seus produtos. Solomon (2002) salienta
que os consumidores podem ser segmentados por variáveis demográficas
que são: por idade, gênero, classe social e renda, estilo
de vida, geografia e raça e etnicidade.
No presente trabalho, porém só será abordado o conceito
de segmentação por raça e etnicidade. Segundo Solomon
(2000), a medida que nossa sociedade se torna cada vez mais multicultural,
surgem novas oportunidades de oferecer produtos especiais para grupos
raciais étnicos e apresentar essas ofertas a outros grupos. Às
vezes, essa adaptação é só uma questão
de colocar um produto já existente em um contexto diferente.
Estudiosos como Milano e Fachin (2002) vêem a segmentação
de mercado por etnia ou raça ainda como um apelo discriminatório,
oriundo das relações sociais históricas entre negros
e brancos, nas quais os brancos dispunham do papel dominante, ao passo
que os negros desempenhavam papéis secundários.
No entanto, esse cenário vem mudando e a estrutura social e econômica
do país vem sofrendo transformações devido à
mobilidade social e desta forma um número cada vez maior de negros
e mulatos está ascendendo à classe média e isto gera
um maior poder de consumo, o que faz ser um mercado atrativo.
Milano;Fachin (2002) ainda complementam que as indústrias de bens
de consumo iniciaram na década de 80 esforços para colocar
no mercado produtos e serviços que atendessem às expectativas
desse conjunto de consumidores, pois a chamada classe média negra
brasileira, que corresponde a 7 milhões de habitantes, percebe
uma renda média mensal de R$ 2.311,94, totalizando uma renda anual
de R$ 46 bilhões, com cerca de R$ 6 bilhões anuais excedentes
para o consumo de produtos que não os considerados básicos.
Diante disso, não se pode mais estar adormecido para um mercado
que está em tamanha ascensão. Atualmente muitas empresas
já têm percebido a importância desse mercado e estão
desenvolvendo produtos específicos para esses consumidores, tais
como produtos de beleza, porém, nos demais segmentos, o esforço
por esse público ainda é muito pequeno.
3.1.4.
COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR
Solomon
(2002) define comportamento do consumidor como o estudo dos processos
envolvidos quando indivíduos ou grupos selecionam, compram, usam,
ou dispõem de produtos, serviços, idéias ou experiências
para satisfazer necessidades e desejos.
O mesmo autor ainda define as etapas no processo decisório do consumidor
que são: Reconhecimento do Problema; Busca de Informações;
Avaliação de alternativas e Escolha do produto. A seguir
será abordado de forma sucinta cada estágio da tomada de
decisão:
O primeiro passo é o Reconhecimento do Problema, nesse estágio
o consumidor sente a necessidade de comprar determinado produto, dessa
forma passa para a etapa seguinte que é a busca de informação,
é nesta etapa que existe uma grande influência das propagandas
com relação aos consumidores, pois é nesta etapa
que procuram saber mais detalhes sobre o produto, então ou buscam
informações através de amigos e parentes que já
adquiriram um produto, ou até mesmo de um técnico para as
compras de alta complexidade, porém nas compras de baixa complexidade
basta apenas um anúncio apresentando o produto e falando sobre
os seus atributos, que os consumidores podem ser facilmente influenciados.
Pode-se constatar isso no capítulo dos resultados obtidos na pesquisa
do referido trabalho, onde os consumidores são influenciados pela
propaganda para conhecer melhor o produto.
Já no estágio da avaliação de alternativas,
o consumidor vai a busca do produto que ofereça maior custo / beneficio,
ele utiliza critérios como a facilidade em encontrar o produto,
os benefícios oferecidos, o preço do produto, a qualidade,
o designer, a forma de pagamento, para produtos como eletrodomésticos
avaliam a assistência técnica, enfim esses são alguns
dos critérios na escolha das alternativas. Após essa avaliação
é que o consumidor efetiva a compra, contudo é necessário
que as empresas façam um pós-venda para saber se o produto/serviço
atendeu as expectativas do consumidor, para que possa aperfeiçoar
cada vez mais e proporcionar a satisfação ao cliente, que
atualmente é o grande diferencial das organizações,
manter os clientes satisfeitos.
Vale ressaltar ainda que, ultimamente os consumidores estão se
tornando cada vez mais exigentes, desta forma, é necessário
compreender este processo de decisão do consumidor, para saber
como influenciar em cada etapa. Entretanto, para que haja um conhecimento
mais aprofundado dos consumidores, é necessário conhecê-los
melhor e esse conhecimento é mais completo através da segmentação,
ou seja, a classificação dos consumidores de acordo as afinidades.
3.2
O NEGRO
3.2.1 O NEGRO NO BRASIL
É
sabido que o povo negro veio para o Brasil na condição de
escravos e durante alguns séculos viveu em tal situação,
porém no ano de 1888 com a Lei Áurea, promulgada pela princesa
Isabel finda a escravatura. Entretanto, os negros por terem sido escravos
e viverem a margem da sociedade continuaram a ocupar posições
desfavorecidas e com o resquício escravagista, foram alvo de muitas
discriminações, porém continuaram a lutar pelos seus
direitos.
Em 1922, Ribeiro disse: a luta mais árdua do negro africano e de
seus descendentes brasileiros foi, ainda é, a conquista de um lugar
e de um papel participante legítimo na sociedade nacional.
Porém, no ano de 1988, no centenário da Abolição
da Escravatura foi promulgada a nova Constituição da República
Federativa do Brasil e nela dentre as coisas consagradas ficou o Artigo
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável
e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos
termos da lei.
A partir daí há uma mudança importante no paradigma
clássico dos estudos e movimentos negros no Brasil. Segundo Vogt
(2003), embora tal mudança no cenário do negro no Brasil
seja decorrente também das grandes transformações
que na economia, na política, e na cultura o mundo contemporâneo
passa a conhecer, é a partir de 1989, com a queda do muro de Berlim
e a consolidação do fenômeno da globalização
que acontece a mudança em todos os setores da vida social. Com
isso, a partir deste ano deixa-se de lado o ideal do Brasil mestiço
para proceder às ações pelo reconhecimento étnico-racial
dos negros.
Desde então, há uma preocupação maior para
com o negro, muitos trabalhos estão sendo elaborados no intuito
da inclusão do negro na sociedade, os movimentos negros se fortalecem
a cada dia e tem alcançado muitas conquistas principalmente com
programas de inclusão social, como as cotas universitárias
estabelecidas pelo Governo Federal. Desta forma, o negro está conquistando
o seu espaço seja na educação, economia, na mídia,
enfim está ocupando o espaço mais do que merecido na sociedade
brasileira.
3.2.2
O NEGRO NA PROPAGANDA BRASILEIRA
Com
as conquistas do negro na educação, na economia, não
poderia ser diferente na mídia, o maior veículo de formação
de opinião mundial, pode-se dizer que é a mídia que
tem o poder de propagar a fama, ou o escândalo de um cidadão.
Com os negros não tem sido diferente, apesar da participação
dos negros na mídia brasileira ainda ser pequena, comparada há
anos atrás houve um avanço muito grande, atualmente já
se ver programas específicos para negros, as novelas estão
começando a mostrar o negro de um âmbito diferente de anos
atrás onde o negro só aparecia como empregada doméstica,
motoristas, enfim em trabalhos menos desfavorecidos.
Hoje, no entanto, já se encontra nas novelas uma família
negra de classe média, inclusive com um empregado branco. As propagandas
também já começam a ser veiculadas com atores negros,
mesmo sendo um no meio de vários brancos, mas isto já retrata
a vitória das lutas dos movimentos negros.
Segundo Conceição (2005), até o final do século
XX no Brasil a imagem do negro refletida pelos meios de comunicação
traduzia-se, em geral, pela negatividade. No ano de 1995, no entanto,
aconteceu um marco na mídia brasileira, o jornal Folha de São
Paulo fez um grande barulho no Brasil sobre os 300 anos da morte de Zumbi
como ilustra Conceição (2005).
Em
1995 o jornal Folha de S.Paulo (FSP), editado pela empresa Folha da
Manha, realizou um investimento inusual na grande mídia brasileira
para registrar uma efeméride relacionada a um dos grupos sociais
historicamente discriminados no Brasil.
Tal efeméride, os 300 anos do assassinato por forças coloniais
de Zumbi, líder do quilombo de Palmares, mereceu desse jornal
um esforço de cobertura e mobilização de recursos
humanos e financeiros jamais realizados no país por quaisquer
setores de da mídia. Apenas na pesquisa que mediu o grau de preconceito
racial do brasileiro, a Folha investiu mais de US$ 77.000,00.
Para
Conceição (2005), a partir desse marco, os meios de comunicação
em massa se deixaram influenciar pela agenda do movimento social negro.
Sobre os meios de comunicação, já Carneiro (2002),
afirma que cresceu a participação dos negros nos meios de
comunicação e a consciência da exclusão da
imagem negra nesses veículos. Ela ainda faz a seguinte ressalva
de que parece que a Rede Globo de Televisão resolveu fazer ação
afirmativa por sua própria conta e então estabeleceu uma
cota mínima de um e máxima de três negros por novela.
Sobre o âmbito da propaganda, mesmo que ainda seja uma presença
tímida também existiu uma maior inclusão da imagem
do negro, como ressalta Carneiro (2002).
Nas
propagandas é perceptível o aumento da presença
negra. Nós também lutamos por isso. No entanto, não
é nossa a definição de que basta um negro perdido
numa multidão de brancos para expressar uma perspectiva inclusiva.
Ou seja, não é nossa a definição de uma
imagem negra que exprime uma inclusão minoritária e subordinada,
como espelha a maioria das propagandas em que os negros são mostrados.
Para
Jones (2004), porém, a questão racial parece ainda não
ter chegado ao campo do marketing com a mesma força que chegou
ao campo social, a autora defende esta afirmação, pois segundo
ela o percentual de negros e mulatos nas propagandas brasileiras ainda
é muito baixa, ela afirma que essa proporção de negros
não chega a 10% do total das propagandas veiculadas. Ela ainda
faz uma comparação entre o Brasil e os Estados Unidos para
ilustrar a desproporção da participação dos
negros nas propagandas brasileira, segundo ela, nos Estados Unidos à
população de negros é estimada em 12% e o número
de modelos negros nas propagandas é praticamente proporcional à
distribuição da população. No Brasil, entretanto,
pode-se dizer que basicamente metade do mercado consumidor do país
não está representada nos apelos publicitários.
Para ilustrar tal situação, basta ver o resultado do último
censo do Brasil realizado no ano de 2000 pelo IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística), apenas no Estado da Bahia 74,5% da
população baiana era de negros, ou seja, a população
total baiana foi estimada em 13 085 769, destes, 1 704 248 se declararam
pretos e 7 869 770 se declararam pardos, desta forma a população
negra da Bahia em 2000 era estimada em 9.754.018. Vale ressaltar que o
IBGE classifica o negro sendo a junção das cores preta mais
a cor parda. Sendo assim pode-se perceber que a proporção
de negros utilizados nas propagandas é irrisória, quando
comparada à população, principalmente no mercado
baiano, onde a maioria da população é constituída
por negros.
Para Jones (2004), a desproporção dos modelos mulatos e
negros nas propagandas brasileiras podem ser devido a dois motivos, o
primeiro pode estar diretamente ligado à natureza da propaganda
que tem como base imagens, ou modelos idealizados com os quais os consumidores
devem supostamente se identificar e neste caso, toma-se por pressuposto
que o modelo ideal seja o do branco. Independente da cor ou raça,
todos os indivíduos e grupos preferem o modelo branco como o de
sua identificação, aos modelos similares à sua própria
raça. Já o segundo motivo, pode estar relacionado à
economia, ou seja, os consumidores com maior potencial de consumo são
os brancos, pois são estes que na grande maioria dispõe
de maior renda, já os negros e mulatos não tem tanto poder
de consumo devido à distribuição de renda no Brasil,
para eles ser desfavorável sendo assim, certamente este fator repercute
nas estratégias de segmentação de mercado e nos focos
de promoção, o que acabam tendo como foco os consumidores
brancos.
4.
RESULTADOS OBTIDOS
A
seguir serão apresentados os principais resultados obtidos na pesquisa,
vale ressaltar que os resultados serão analisados de acordo ao
instrumento de coleta que foi dividido em quatro blocos que são:
Estilo de vida; Compras; Processo de compras e Percepção
da imagem do negro na propaganda.
4.1 ESTILO DE VIDA
Para
os consumidores brancos os sonhos de consumo estão relacionados
à compra de artigos de luxo, como um iate, um haras, um belo automóvel.
À realização profissional e acadêmica também
fazem parte desses sonhos como passar num mestrado, fazer uma pós-graduação,
passar num concurso público. Um sonho de consumo imediato citado
entre os entrevistados foi à compra da casa própria.
Já para os consumidores negros os sonhos de consumo estão
relacionados a bens materiais como um carro de luxo, uma casa de novela,
uma casa ou um apartamento na praia. A realização profissional
também aparece como um sonho de consumo do grupo como ilustrado:“Meu
maior sonho de consumo é a realização profissional,
pois me realizando profissionalmente o resto virá”.
Para os consumidores brancos e negros os sonhos de consumo estão
relacionados à realização profissional, a ter o próprio
negócio: “Ser dono de uma grande empresa”. Bens materiais
como carro, casa também faz parte dos sonhos desses consumidores.
Neste grupo, a realização profissional também está
ligada a proporcionar uma vida melhor aos familiares: “Meu maior
sonho de consumo é me realizar profissionalmente pra dar uma vida
mais estável a minha mãe é só o que eu penso”.
Ainda neste grupo um entrevistado afirmou não ter sonho de consumo,
para ele, a melhor opção é viver a realidade: “Meu
sonho de consumo pra ser sincero eu não tenho, o que vier é
lucro, porque hoje em dia do jeito que a vida ta eu não posso querer
sonhar com uma coisa que com certeza eu não sei se eu vou poder
ter, então eu prefiro viver na realidade”.
Para a realização dos sonhos supracitados, os consumidores
brancos afirmaram estar se dedicando aos estudos e ao trabalho, pois estes
são os meios pelos quais alcançarão seus sonhos.
No grupo dos consumidores negros os resultados obtidos não foram
diferentes, para estes consumidores, para alcançar os seus sonhos
a melhor opção é o estudo, muito trabalho e a busca
por novos conhecimentos.
O mesmo resultado foi encontrado no grupo dos consumidores brancos e negros,
este grupo também ver o estudo e o trabalho como o melhor caminho
para alcançar os sonhos: “O que eu tô fazendo pra isso
acontecer é trabalhando, estudando, é o que todo cidadão
tem que fazer, não tem jeito”.
Entre as atividades de lazer preferidas dos consumidores brancos estão:
discutir política nacional, sair à noite, estar com as pessoas
que ama, montar a cavalo, ir para fazenda, sexo e rocking rool.
No grupo dos consumidores negros, entre as atividades de lazer preferidas
estão: ir a fazenda, visitar os amigos, passear, viajar, dormir,
sair para se divertir, ir a um barzinho, ir a praia, ir ao cinema e acima
de tudo estar com a família independente do lugar: “Praia,
cinema e estar com os amigos independente do lugar”; “O que
eu mais gosto de fazer é sair, passear pelo shopping,visitar os
amigos, viajar cinema, festas não curto muito. Ler um bom livro,
estudar um pouquinho”. Este grupo demonstrou curtir mais a família,
os amigos, as festas não são mais atividades atrativas.
Já para o grupo de consumidores brancos e negros, entre as atividades
de lazer preferidas estão: ir a fazenda, ficar em casa relaxando,
sair para se divertir, ir a praia, jogar bola, dançar, ficar com
a família, estar com os amigos, ir ao cinema, estudar e curtir
a vida: “O que eu gosto de fazer é curtir a vida, ir a praia,
sair, me divertir”.
Falando sobre música, o estilo preferido é MPB, por gostarem
de música que tenham algum significado. Dentre os cantores citados
aparecem Chico Buarque e Caetano Veloso. Alguns entrevistados ainda afirmaram
gostar de todos os estilos. A Bossa Nova também foi citada pelos
entrevistados. Outros afirmaram gostar de muitos estilos músicais
com exceção do rock e do reggae.
Já o grupo dos consumidores negros se caracterizou como eclético,
pois apesar de terem estilos músicais preferidos, mas afirmaram
que costumam escutar um pouco de tudo e que o tipo de música a
escutar depende muito do momento que estão vivendo. Dentre os estilos
citados como preferidos aparecem o reggae, rock, rip rock, pop rock, axé,
MPB e músicas internacionais.
Sobre estilo músical, o grupo de consumidores brancos e negros
também se mostrou bem eclético, os estilos músicais
vão desde música evangélica, sertanejo, afro. Alguns
entrevistados ainda afirmaram gostar de todos os estilos.
Falando de cinema, o grupo de consumidores brancos demonstrou interesse
por filmes que provoquem emoção, que tragam o sentimento
à flor da pele e os filmes que deixem alguma lição.
Dentre os estilos citados apareceram à comédia, o drama,
terror e ficção científica.
Já no grupo de consumidores negros, os estilos de filmes preferidos
do grupo são: ação, comédia por gostarem de
dar risadas e comédia romântica. Afirmaram não gostar
de ficção científica.
No grupo de consumidores brancos e negros, os mais variados estilos aparecem
como preferência do grupo, desde as comédias, filmes de ação,
suspense, terror, ficção científica até os
que falam sobre a origem do negro. Para este tema em específico
já aparece uma influencia da preferência de um consumidor
negro, tendo em vista, que um dos entrevistados negros que afirmou ter
os filmes que levam a origem do negro como um estilo de filme preferido.
Partindo para os meios de informação, a Internet aparece
como a principal ferramenta de informação dos consumidores
brancos, tendo em vista que passa a maior parte do dia em frente ao computador.
Além da Internet, o grupo afirmou utilizar o rádio, a TV,
os jornais diários impressos e as revistas semanais como os meios
que utilizam para se manterem informados. A Globo News e o Fantástico
também foram citados pelos entrevistados como ferramentas de informação.
No grupo de consumidores negros, os resultado são semelhantes,
os meios de comunicação que utilizam pra se manterem informados
são: a Internet, jornal impresso, telejornais, e revistas, como
por exemplo, a revista Veja. O rádio não foi considerado
muito utilizado por não ouvirem.
No grupo dos consumidores brancos e negros, os resultados encontrados
sobre os meios que utilizam para se manterem informados, não foram
diferentes dos resultados encontrados nos outros grupos. Neste grupo,
o uso da Internet também aparece como uma das principais ferramentas
de informação, além da Internet aparecem os jornais
da TV, as revistas periódicas como Veja e Exame, livros e a própria
faculdade segundo eles é um meio que utilizam como busca de informação.
4.2
COMPRAS
Falando
sobre os locais preferidos para fazer compras, os shoppings aparecem como
uma opção atraente no grupo dos consumidores brancos. Dentre
os shoppings citados o Iguatemi aparece como o preferido, pois além
da variedade de produtos, o shopping oferece serviços diversos
e aparece como diferencial. Outros entrevistados afirmaram não
ter local especifico, que compram aquilo que gostam onde encontram, também,
não demonstraram muito interesse pela marca dos produtos, mas sim
pela qualidade. A Internet aparece no grupo como uma opção
para realizar as compras.
Para os consumidores negros, quando questionados sobre os locais preferidos
para fazer compras, os entrevistados afirmaram não ter locais específicos
para fazer compras, pois na maioria das vezes elas acontecem quando olham
para o produto e gostam. No entanto, as feiras de moda e as lojas de rua
aparecem como uma opção de fazer compras, porém os
shoppings são os preferidos pelo grupo, pois além da variedade
de lojas, o atendimento é melhor.
Já no grupo dos consumidores brancos e negros falando sobre os
locais preferidos para fazer compras, os shoppings aparecem como uma opção
atraente, já que neles geralmente existe uma variedade maior de
lojas. Dentre os shoppings citados aparecem o Shopping Iguatemi, Barra,
Itaigara, Piedade, Aeroclube e Liberdade. As lojas de bairro também
foram citadas como uma opção para as compras.Alguns entrevistados
afirmaram que o local das compras depende muito do que se quer comprar
e por isso não ter um local especifico.
Questionados sobre as compras, no grupo dos consumidores brancos alguns
entrevistados afirmaram que suas compras são sempre planejadas
e que compram por necessidade não se deixando levar pelo impulso.
Outros, porém se declaram consumistas, que compram pela emoção
e dificilmente quando saem, voltam para casa sem comprar alguma coisa.
Já no grupo dos consumidores negros para este quesito de compras
planejadas ou não, o grupo se mostrou dividido, enquanto uns compram
por impulso, por gostarem do produto que viram. Outros, porém,
afirmaram que as compras são planejadas e que compram apenas de
acordo a ocasião e da necessidade.
No grupo de consumidores brancos e negros questionados sobre as compras,
alguns entrevistados afirmaram geralmente não planejam as compras,
elas acontecem sempre que algo os atrai, ou quando o produto que desejam
cabe no orçamento. Para outros, porém, as compram são
sempre planejadas, além disso, só compram por necessidade.
Questionados sobre os principais fatores decisivos para a compra, no grupo
dos consumidores a condição de pagamento é o fator
principal, ou seja, em quantas vezes o produto pode ser parcelado. Além
disso, atributos como qualidade, preço e beleza são indispensáveis
para a realização da compra.
Já para os consumidores negros os principais atributos levados
em consideração na hora da compra do produto são
o preço, a qualidade, o estilo e o bom atendimento. Para alguns
a marca do produto não é relevante na hora da escolha do
produto, para outros, porém este atributo é indispensável.
No grupo dos consumidores brancos e negros os atributos preço e
qualidade, assim como nos outros grupos são os principais atributos
levados em consideração na hora da compra do produto. Neste
grupo alguns entrevistados afirmaram que a marca do produto não
é relevante na hora da compra. Já para outros consumidores,
o fator decisivo para a efetivação da compra é se
gostarem do produto.
Falando dos sentimentos que sentem ao realizarem uma compra, no grupo
dos consumidores brancos os sentimentos citados pelo grupo foram felicidade
e realização. Segundo eles, a satisfação pela
compra é pelo fato de terem adquirido aquilo que almejavam, além
de terem tido condição para realizar a compra.
No grupo dos consumidores negros sentimentos como felicidade, realização,
alívio e culpa são os sentimentos que os entrevistados sentem
ao realizar uma compra. O sentimento de alívio é pelo fato
de saber que tem uma coisa nova para usar.A culpa é por ter comprado
muito, mas logo em seguida a culpa é superada pelo sentimento de
realização. Segundo eles, uma das coisas que motiva a satisfação
das compras é pelas coisas novas que adquiriram e por isso querem
logo usar.
Já segundo os entrevistados do grupo de brancos e negros, ao realizarem
uma compra além da satisfação por ter realizado a
compra, eles sentem prazer ao comprar. Para outros um sentimento que surge
também é o arrependimento, como ilustrado“também
arrependimento, porque você pode ter comprado e quando chega em
casa que experimenta percebe não ter gostado”. Para eles,
uma das coisas que motiva a satisfação das compras é
por estarem na moda, por usarem algo que está na mídia.
4.3
PROCESSO DE COMPRAS
No
processo decisório das compras, no grupo dos consumidores brancos,
os influenciadores são a esposa, a mãe, ou uma que entenda
do produto, um técnico mais precisamente. No entanto, para o grupo,
a opinião de um terceiro só é válida quando
o objeto a ser comprado não é de uso pessoal e quando outras
pessoas também usarão o produto, para eles tipos de produtos
como roupas não cabem opiniões de outras pessoas.
Já o grupo dos consumidores negros afirma não pedir opinião
de terceiro para efetivar a compra, preferem pesquisar sozinhos sobre
os produtos e tomam a decisão da compra de acordo a opinião
própria.
No grupo dos consumidores brancos e negros no processo decisório
das compras, constata-se que os maiores influenciadores são os
familiares, ou amigos íntimos. Para outros, porém, a opinião
de terceiros não é relevante, se importam apenas no seu
próprio bem estar. Os meios que utilizam para buscar informação
sobre os produtos são: televisão, out-door e revistas.
Quando questionados sobre a importância da influencia da propaganda
no processo decisório, os entrevistados do grupo dos consumidores
brancos definem as propagandas como essenciais, pois são elas que
apresentam o produto ao público, esclarecem as dúvidas sobre
o produto, são decisivas quando apresentam um produto que necessitam,
caso contrario não influenciam muito. Mostraram insatisfação
apenas pelas propagandas que apresentam produtos parcelados, segundo eles
quando vão comprar, os juros são sempre maiores aos que
apareceram na propaganda.
No grupo dos consumidores negros, quando questionados sobre a importância
da influencia da propaganda no processo decisório, alguns afirmam
que a propaganda influencia na efetivação da compra. Para
outros a propaganda é importante, pois, é através
dela que o produto se torna conhecido e leva a compra não pela
propaganda em si, mas pela propaganda apresentar os benefícios
do produto.
Já no grupo dos consumidores brancos e negros, sobre a importância
da influencia da propaganda no processo decisório, a maioria afirma
que a propaganda é importante tanto para a divulgação
do produto, ou seja, para que ele se torne conhecido no mercado, quanto
influencia a compra do produto. Alguns reconhecem a importância
da propaganda, mas alegam que nem sempre o produto mostrado na propaganda
supera a expectativa, sendo assim só saberá da qualidade
do produto quando experimentá-lo.
Para o grupo dos consumidores brancos, os atributos que mais chamam atenção
numa propaganda são a criatividade, a qualidade técnica,
a comédia e principalmente o artista que está representando,
o caráter e idoneidade do ator chamam a atenção para
o produto que está sendo divulgado.
Segundo os consumidores negros, a propaganda chama a atenção
por completo e os atributos que os prendem para assistir e chagar a influenciar
a compra, são os benefícios do produto apresentados na propaganda,
as cores e quem está apresentando o produto. Porém a propaganda
que realmente chama a atenção é aquela que está
veiculando um produto do seu próprio interesse.
Já no grupo dos consumidores brancos e negros, os atributos que
mais chamam atenção numa propaganda são o preço,
ou seja, as propagandas que aparecem com algum tipo de promoção
são bastante atrativas.
Além disso, o ator e/ou atriz que divulga o produto também
é um fator importante numa propaganda, os jingles também
foram citados:“Na propaganda a música segura mais”.A
criatividade também é um atributo que chama a atenção
dos consumidores.
Sobre propagandas com pessoas da mesma raça, os consumidores brancos
afirmaram que este não é um fator que os influencia na compra,
segundo eles, o importante numa propaganda não é a pessoa
que está representando, mas sim o objeto que está sendo
apresentado. Para alguns, a mistura das raças nas propagandas é
um fator interessante.
Já no grupo dos consumidores negros, sobre propagandas com pessoas
da mesma raça, houve opiniões diferentes no grupo, enquanto
uns afirmaram que uma pessoa negra veiculando a propaganda influencia
muito a compra do produto, pois há a identificação
com o personagem da propaganda por ser da mesma cor. Para outros, porém,
a cor do ator não influencia, mas o que influencia o consumo é
o enredo da propaganda.
No grupo dos consumidores brancos e negros, houve opiniões diferentes
entre as percepções dos brancos e dos negros. Segundo os
consumidores brancos a pessoa que está representando a propaganda
não influencia, mas o que influencia é a identificação
com o produto e a apresentação da propaganda: “Não
influencia se um ator, uma atriz não ser conhecido dependendo a
forma como vá passar o tema, o assunto, tem que saber passar pra
prender quem ta do outro lado assistindo”.
Já para os consumidores negros, uma pessoa da mesma raça
numa propaganda é muito interessante e diferente, tendo em vista
que existem poucas propagandas com negros. Segundo eles, quando uma propaganda
veicula um negro, faz com que prenda a atenção e eles assistam
a propaganda.
4.4
PERCEPÇÃO DA IMAGEM DO NEGRO NA PROPAGANDA
Falando
das propagandas veiculadas com negros, no grupo dos consumidores brancos,
os entrevistados lembraram-se das propagandas da Parmalat que veiculava
crianças negras, uma da Coca-cola onde tinha uma criança
negra, outra da Fiat, que mostrava o preconceito das pessoas com relação
ao negro, uma da Pepsi que veiculava alguns jogadores negros e do GAPA.
Alguns entrevistados não lembraram de propagandas veiculadas com
negros, a não ser as propagandas anunciando os programas com atores
negros, como o de Netinho, Cidade de Deus e Cidade dos Homens.
No grupo dos consumidores negros, foram poucas as propagandas veiculadas
com negros que os entrevistados lembraram dentre elas apareceram: a propaganda
da C&A protagonizada por Sebastian, as que são veiculadas no
programa do Netinho e as propagandas da Riachuelo, da Dove, da Nívea
e da Seda para cabelos cacheados.
Segundo o grupo, as propagandas de hoje geralmente aparece um negro no
meio de vários brancos, para eles isso vem acontecendo por existir
uma lei, ainda comentaram dos papéis dos negros nas novelas, que
atualmente já se ver o negro ascendendo socialmente: “Mas
geralmente no meio de cinco, seis branco tem um negro, eu acho que hoje
como é lei tão mais cumprindo porque a gente ver que até
nas novelas os negros estão ascendendo mais socialmente no trabalho
coisa que antigamente não tinha, hoje já se ver nas novelas
uma família de negros com um empregado branco e antes era o contrário”.
Já no grupo dos consumidores brancos e negros, quando questionados
sobre a lembrança de propagandas veiculadas com negros, as propagandas
que lembraram foram: Propaganda da Parmalat com crianças negras,
a da C&A, da Nelinho empresa de telefonia celular e quanto a esta
propaganda chamaram de “Ridícula”, propaganda contra
o racismo na Europa, as propagandas do Governo do Estado da Bahia mostrando
os locais turísticos e aparecia negros jogando capoeira, baianas
de acarajé e uma propaganda da Benetton que veiculava uma criança
branca e uma negra. Além das propagandas citadas, foi citado um
canal só pra negros Black TV, para os entrevistados negros os programas
específicos para negros são atrativos e eles se sentem bem
em assistir algo especifico da sua raça.
Falando sobre a participação dos negros nas propagandas,
segundo os consumidores brancos, apesar da crescente participação
do negro nas propagandas, para a quantidade de negros no Brasil essa participação
ainda é irrisória.
Segundo eles essa participação ainda é limitada devido
às empresas veicularem suas propagandas para os consumidores com
potencial econômico e como a grande massa de negros não tem
potencial financeiro atrativo, as empresas não anunciam para este
público.
Para os consumidores brancos: “até no visual se colocar uma
atriz clara, loira, como olhos claros, realmente fica mais bonito, não
podemos negar e é aquela parte da sociedade que de fato vai consumir
o que ele quer vender”.Com esta afirmativa pode-se constatar um
certo tipo de preconceito do consumidor branco com relação
às propagandas veiculadas com negros.
A visão do grupo dos consumidores negros é um pouco diferente
dos consumidores brancos, enquanto a percepção do grupo
dos brancos está relacionada ao potencial financeiro, no grupo
dos consumidores negros a pouca participação do negro nas
propagandas é associada a discriminação. A visão
deste grupo é que as propagandas veiculadas com negros ainda são
em número limitado, geralmente aparece um negro no meio de vários
brancos e que isso pode ser devido a lei, que estipula as cotas de negros
na mídia e não por ser espontâneo da empresa que está
veiculando o produto. A percepção que o grupo tem é
que apesar do aumento do número de negros na propaganda ainda existe
discriminação e até nos próprios produtos
que são específicos para negros, não é o negro
que divulga, mas sim uma pessoa de pele clara e com isso, não se
sentem motivados a consumir o produto.
A visão do grupo dos consumidores brancos e negros se assemelha
mais à percepção dos consumidores negros. Segundo
os entrevistados do grupo de consumidores brancos e negros, as propagandas
veiculadas com negros ainda são em número limitado, para
eles os principais motivos dessa limitação é devido
ao preconceito dos empresários, que na percepção
do grupo, os empresários ainda tem uma visão antiga de acharem
que o negro não tem capacidade, além disso, as propagandas
ainda são em número limitado devido à aceitação
do público em geral.
Outro fator também levantado no grupo foi o fato de colocarem numa
propaganda apenas um negro no meio de vários brancos, para eles
se veiculassem propagandas apenas com negros e se os empresários
fossem menos preconceituosos, o número de propagandas com negros
seria maior.
Quando questionados sobre a existência do preconceito por parte
das empresas e do público em geral, para consumidores brancos existe
preconceito por parte das empresas e dos consumidores com relação
às propagandas veiculadas com negros, pois para eles o Brasil é
um país preconceituoso, o próprio negro deseja ser branco
e por isso a escassez de propagandas com negros. Para outros, porém,
o preconceito do Brasil é econômico e como os negros estão
começando a ascender e mudar da classe pobre, para a classe considerada
classe média brasileira, as empresas estão aumentando o
número de propagandas veiculadas com negros.
Já no grupo dos consumidores negros, falando sobre o preconceito
por parte das empresas e dos consumidores com relação às
propagandas veiculadas com negros, o grupo vê a sociedade brasileira
ainda muito preconceituosa, para eles o preconceito existe dos dois lados,
tanto das empresas, quanto dos consumidores, até o próprio
negro tem preconceito contra outro negro. O preconceito na concepção
do grupo é algo cultural e as pessoas precisam ter uma visão
mais aberta para que o preconceito acabe. Para outros entrevistados, porém,
a percepção que têm é que o preconceito existe
apenas por parte das empresas e não do público que assiste
as propagandas.
No grupo dos consumidores brancos e negros, surgiram diferentes percepções.
Para alguns entrevistados ainda existe preconceito por parte dos empresários,
pois, se eles não fossem preconceituosos mais negros participariam
das propagandas. Já para outros entrevistados o preconceito não
é pelos empresários, mas sim pelo público em geral
e até do próprio negro com a sua raça. Outros não
percebem preconceito nas propagandas, mas sim nas novelas, pois os negros
sempre aparecem ocupando cargos desfavorecidos.
Com relação às propagandas, surgiu o questionamento
de veicularem negros apenas em propagandas com marcas inferiores e de
produtos com alisantes como ilustrado pela fala do entrevistado: “Em
relação a produtos e entretenimento você só
ver o negro quando vai fazer propaganda daqueles cosméticos, alisantes,
você pega uma propaganda da seda você não ver, você
pega uma propaganda da Pantene você não vê, eu acho
errado isso, porque querendo ou não passa uma imagem de que o negro
só usa esse tipo de produto, e as pessoas de pele clara, só
eles poderiam usar Seda e por ai vai. Eu acho que isso poderia acabar,
porque o preconceito é coisa passada, você vê, eu tenho
muitos amigos brancos, negros também e para a população
isso já acabou, falta às empresas se conscientizarem”.
Para finalizar
os grupos deixaram mensagens para as empresas veiculadoras de propaganda
e para as agências de publicidade responsáveis pela criação
das propagandas.
No grupo dos consumidores brancos, os entrevistados se mostraram divididos,
enquanto para uns a mensagem deixada foi uma mensagem capitalista, ou
seja, veicular para o público consumidor que tenha potencial de
compra, como ilustrado a seguir:“A minha mensagem é uma mensagem
capitalista, independente da cor, do preconceito que todos nós
temos cada um em um grau, o lema é vender, se você viu que
o amarelo ta comprando bota amarelo num comercial,se é o negro,
bota o negro, o negócio é o mundo capitalista, o que move
é o dinheiro, independente da cor de quem esteja lá na televisão”.
Para outros a mensagem deixada é mais social: “Que façam
boas propagandas, que geralmente quando tem propaganda com negros nos
façam refletir a questão do preconceito, das classes, então
que façam boas propagandas pra que a gente possa ta pegando um
pouco de cada uma e que possa interferir um pouco na nossa vida e diminuir
esse preconceito”.
Já no grupo dos consumidores negros, a mensagem deixada para as
empresas veiculadoras de propaganda e para as agências de publicidade
responsáveis pela criação das propagandas é
que esqueçam a cor da pele, que se o objetivo é ganhar o
dinheiro, então que seja de acordo ao foco no produto e não
na cor/raça da pessoa que estará veiculando o produto, que
exija mais respeito ao consumidor negro.Além disso, a maioria da
população brasileira é de negros, então que
dêem mais valor a este público de consumidores.
No grupo dos consumidores brancos e negros a mensagem deixada é
que o mercado está aberto a todos, que todos devem ser vistos de
forma igualitária na sociedade e que a inteligência e capacidade
é algo intrínseco a todo ser humano independente da cor
ou da raça.
5.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Fazendo
uma avaliação final dos resultados da pesquisa, pode-se
constatar que de uma forma geral, os resultados obtidos em cada grupo
foram semelhantes, tanto no quesito de estilo de vida, quanto nas compras,
no processo de compras e percepção da imagem do negro na
propaganda. Salvo em alguns tópicos em que foi constatada a interferência
da cor. Esta semelhança pode estar associada ao perfil dos grupos,
por terem sido consumidores universitários entre 19 e 35 anos.
A seguir será apresentada a análise geral dos quesitos pesquisados
para um melhor entendimento do leitor.
Analisando o quesito estilo de vida dos grupos, constata-se uma semelhança
entre sonhos de consumo, atividades de lazer, os meios de comunicação
que utilizam para se manter informados, o estilo de filmes e músicas.
Já fazendo uma avaliação sobre as compras, é
unânime a preferência pelos shoppings centeres para a realização
das mesmas, para os entrevistados este é o local preferido devido
a variedade de produtos e serviços. Para alguns entrevistados,
a compra é realizada independente do local, o que importa é
olhar para o produto e se identificar com o mesmo. Além disso,
em todos os grupos houve a divisão dos entrevistados quanto às
compras, ou seja, enquanto para uns as compras só são realizadas
por necessidade e sempre são planejadas, para outros as compras
são por impulso. Os sentimentos após a realização
de uma compra também foram semelhantes nos grupos, tais como prazer,
realização e felicidade. Segundo eles, os principais atributos
levados em consideração na hora da escolha do produto são:
preço, qualidade, condições de pagamento, beleza
e estilo. Outro resultado interessante é que o atributo “marca”,
não foi citado como primordial para efetuar a compra, pelo contrario,
muitos entrevistados fizeram uma ressalva que preferem comprar mais produtos
que tenham qualidade e bom preço, a comprarem um produto de marca
muito mais caro.
Falando sobre a influência da propaganda no processo decisório,
apesar de alguns consumidores afirmarem que a propaganda não influencia
diretamente na decisão da compra, outros, porém, afirmaram
que é através dela que ficam conhecendo o produto, seus
benefícios e isso muitas vezes o levam a experimentar, além
disso, as ferramentas utilizadas numa propaganda como o ator que está
representando, o preço, a forma de pagamento são atributos
que chamam a atenção desses consumidores e algumas vezes
os levam as compras.
Com relação à identificação da pessoa
da mesma raça nas propagandas, no geral, os entrevistados responderam
não ser um fator decisivo para a escolha do produto, porém
para os consumidores negros, ao ver uma pessoa da mesma cor numa propaganda
é motivo de prender sua atenção, tendo em vista que
a quantidade de negros nas propagandas ainda ser muito limitada, para
alguns um negro na propaganda é motivo de identificação.
No grupo dos consumidores brancos, apesar de afirmarem que uma pessoa
da mesma raça não influencia o consumo, surgiu um comentário
do perfil que mais se identificam, do modelo idealizado, talvez possa
até ser considerado um tanto “preconceituoso” como
ilustrado: “até no visual se colocar uma atriz clara, loira,
com olhos claros, realmente fica mais bonito, não podemos negar
e é aquela parte da sociedade que de fato vai consumir o que ele
quer vender”. Vale ressaltar, porém, que este foi um comentário
no meio do todo.
Outro fator relevante é que em todos os grupos os consumidores
enfatizam que a quantidade de negros nas propagandas ainda é muito
irrisória e que as empresas devem começar a focar mais este
mercado, pois está em ascensão. Esta foi uma das principais
mensagens deixadas em todos os grupos, segundo os entrevistados as empresas
devem começar a enxergar o público negro como potencial
e fazer propagandas específicas para estes consumidores, além
disso, fazer propagandas que incentivem a sociedade a refletir sobre o
preconceito, para eles preconceito é coisa do passado, todos devem
ser vistos com a mesma capacidade e respeito.
Essa pesquisa qualitativa sobre a veiculação da imagem do
negro nas propagandas revelou um panorama geral das percepções
dos consumidores universitários sobre o tema. Ficou bastante explícita
a necessidade de veicular mais propagandas com negros, pois além
de serem um público-alvo potencial e existir a identificação
destes consumidores com pessoas da sua mesma cor, isto fará com
que muitas barreiras da sociedade com relação a este povo
sejam quebradas. Os resultados obtidos nesta pesquisa podem ser enriquecidos
com a realização de uma etapa quantitativa futura abrangendo
um maior número de consumidores, ou melhor, uma amostra probabilística
da população de Salvador. Isto trará informações
mais precisas quanto à percepção do público
em geral com relação à veiculação da
imagem do negro na propaganda, principalmente nesta cidade onde a maioria
da sua população é constituída por negros.
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